Uma arara-canindé (Ara ararauna) e uma arara-vermelha (Ara chloropterus) vivem juntas há cerca de cinco anos no Buraco das Araras, em Jardim (MS), formando um casal considerado raro entre aves de espécies diferentes. O comportamento chama atenção porque araras, embora monogâmicas, costumam formar pares dentro da mesma espécie.
Convivência foge ao padrão da natureza
Na natureza, o mais comum é que araras escolham parceiros da mesma espécie. No caso observado em Mato Grosso do Sul, duas aves com características físicas distintas permanecem juntas há anos, compartilhando rotina e território. A arara-canindé tem plumagem azul e amarela, enquanto a arara-vermelha apresenta coloração vermelha intensa.
Integração ocorreu após período de rejeição
A arara-canindé chegou ao Buraco das Araras há cerca de sete anos e, inicialmente, não foi aceita pelas araras-vermelhas. Segundo relatos de acompanhamento da reserva, houve tentativas de expulsão durante aproximadamente seis meses. "Um amor que desafia as cores e surpreende quem visita", resume Bergson Sampaio, guia da reserva que acompanha há anos a rotina das aves no local. Com o tempo, a ave passou a emitir sons semelhantes aos do grupo, o que contribuiu para sua aceitação.
Casal permanece junto há cerca de cinco anos
Após a adaptação, as duas aves passaram a ser vistas com frequência. Elas compartilham o mesmo território e rotina dentro da reserva. Até o momento, não há registro de filhotes do casal. Especialistas apontam que a diferença entre as espécies pode dificultar a reprodução. Além disso, cruzamentos entre espécies diferentes podem resultar em híbridos com limitações reprodutivas. Mesmo assim, o vínculo entre as aves permanece estável.
Buraco das Araras abriga mais de 150 espécies
O Buraco das Araras é uma dolina localizada em Jardim (MS), com cerca de 100 metros de profundidade e aproximadamente 500 metros de circunferência. O local abriga mais de 150 espécies de animais silvestres, incluindo aves, répteis e mamíferos. Entre elas, estão cerca de 120 araras-vermelhas que utilizam a área para abrigo e reprodução.
Unidade de conservação e turismo sustentável
Reconhecido como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), o espaço foi oficializado em 2007. A área combina preservação ambiental, pesquisa científica, educação ambiental e turismo sustentável. Dentro da grande concentração de araras-vermelhas, o casal formado por espécies diferentes se destaca pela convivência contínua. O caso é considerado incomum e segue sendo observado dentro da reserva.



