Acusação de Trump sobre interferência eleitoral põe em risco trégua entre EUA e China
Acusação de Trump ameaça trégua EUA-China

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de interferir nas eleições americanas de 2024, colocando em risco a frágil trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo. A declaração foi feita durante um comício na Flórida, na noite de quarta-feira, e já gerou reações em Pequim e Washington.

Detalhes da acusação

Trump afirmou, sem apresentar evidências concretas, que o governo chinês estaria financiando campanhas de adversários políticos e utilizando bots em redes sociais para influenciar a opinião pública. "A China não quer que eu volte à Casa Branca. Eles estão fazendo de tudo para me prejudicar, mas não vão conseguir", disse o ex-presidente, que é o pré-candidato republicano mais cotado para 2024.

A acusação ocorre em um momento delicado das relações bilaterais. Desde o início de 2026, EUA e China vinham negociando uma redução de tarifas e a retomada de acordos comerciais, após anos de tensões durante o governo Biden. A chamada "trégua de Pequim" havia sido celebrada por analistas como um passo para estabilizar a economia global.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto imediato

Após as declarações de Trump, o índice Dow Jones caiu 1,2% no pregão de quinta-feira, enquanto o dólar se valorizou frente ao yuan. O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, classificou as acusações como "infundadas e perigosas" e alertou que a China responderá com firmeza a qualquer tentativa de culpar o país por problemas internos dos EUA.

Segundo fontes do Departamento de Estado, o governo americano está preocupado com o possível colapso das negociações comerciais. Um diplomata, que falou sob condição de anonimato, afirmou: "Estávamos prestes a anunciar um acordo para reduzir tarifas sobre produtos agrícolas e tecnologia. Agora, tudo está em suspenso."

Contexto histórico

As relações entre EUA e China sempre foram marcadas por desconfiança, mas a trégua iniciada em janeiro de 2026 representava uma oportunidade de cooperação em áreas como mudanças climáticas e comércio. Especialistas apontam que a retórica de Trump pode ser uma estratégia para mobilizar sua base eleitoral, mas os riscos são altos. "Se as acusações levarem a sanções ou retaliações, o comércio global sofrerá um golpe severo", afirmou a economista Laura Chen, do Peterson Institute.

Dados do Escritório do Representante Comercial dos EUA mostram que o comércio bilateral atingiu US$ 690 bilhões em 2025, com um déficit de US$ 300 bilhões para os EUA. A trégua previa a redução gradual desse déficit, mas as novas tensões podem inviabilizar o plano.

Reações políticas

O Partido Democrata criticou Trump por colocar em risco os avanços diplomáticos. A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse que "o governo está comprometido com a estabilidade e não comentará alegações infundadas". Já entre os republicanos, as declarações de Trump foram recebidas com entusiasmo. O senador Ted Cruz twittou: "Finalmente alguém com coragem para enfrentar a China."

Na China, a mídia estatal acusou Trump de "chantagem política" e lembrou que Pequim já havia negado envolvimento nas eleições de 2020. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, afirmou: "A China não interfere em assuntos internos de outros países. Essas acusações são uma tentativa de desviar a atenção dos problemas domésticos americanos."

Próximos passos

Analistas preveem que a situação pode se agravar nas próximas semanas, com possíveis sanções unilaterais dos EUA ou retaliações chinesas. O secretário de Comércio americano, Gina Raimondo, convocou uma reunião de emergência com representantes de setores afetados, como agricultura e tecnologia. Enquanto isso, Trump prometeu divulgar "provas" em breve, mas não deu detalhes.

A trégua comercial, que parecia um raro ponto de luz nas relações bilaterais, agora pende por um fio. O mundo observa com apreensão, temendo um novo capítulo de guerra comercial entre as duas potências.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar