O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de 'palhaço' e afirmou que o risco do país vizinho é 'muito mais alto' que o brasileiro. A declaração foi feita durante um seminário em São Paulo, na última terça-feira, 27 de julho de 2026, em resposta a críticas de Milei sobre a política econômica brasileira.
Declarações polêmicas
Durigan não poupou palavras ao se referir ao líder argentino. 'Milei é um palhaço. Ele não entende nada de economia e só sabe fazer propaganda. Enquanto isso, o risco argentino está nas alturas, muito acima do nosso', disse o secretário. A fala ocorre em meio a crescentes tensões diplomáticas entre os dois países após Milei assumir o governo em 2025.
Dados do mercado financeiro mostram que o Credit Default Swap (CDS) da Argentina para cinco anos era de 2.500 pontos-base no fechamento da véspera, ante 150 pontos-base do Brasil. Isso significa que o risco argentino é mais de 16 vezes superior ao brasileiro, confirmando a avaliação de Durigan.
Contexto econômico
A economia argentina enfrenta hiperinflação, com taxa anual estimada em 300% em junho de 2026, e uma recessão profunda. O país negocia com o Fundo Monetário Internacional um novo programa de ajuste, mas as medidas de Milei, como a dolarização da economia, têm gerado instabilidade. 'Eles estão queimando as reservas em um plano maluco. Enquanto isso, o Brasil mantém fundamentos sólidos', acrescentou Durigan.
O Brasil, por sua vez, registra inflação controlada em torno de 4,5% e crescimento do PIB de 2,8% no primeiro semestre de 2026. A diferença de percepção de risco se reflete nos investimentos estrangeiros: enquanto a Argentina viu uma fuga de capitais de US$ 10 bilhões no primeiro semestre, o Brasil atraiu US$ 35 bilhões.
Repercussão
As declarações de Durigan geraram reações imediatas. O governo argentino, por meio do Ministério das Relações Exteriores, emitiu nota repudiando o que chamou de 'ataques infundados'. Já analistas econômicos ponderam que, embora o tom tenha sido agressivo, a comparação de risco é factual. 'Os números não mentem. O risco argentino é realmente muito alto, mas o termo 'palhaço' pode prejudicar a relação bilateral', avaliou a economista Marina Silva, da consultoria Tendências.
O Palácio do Planalto evitou comentar o episódio, mas fontes indicam que o presidente brasileiro não endossa o tom pessoal de Durigan. A crise diplomática ocorre em um momento delicado, com negociações sobre acordos comerciais do Mercosul em andamento.



