Washington Post analisa turismo no Rio: gentrificação e adaptação
Washington Post: turismo no Rio gera gentrificação

Uma reportagem do Washington Post, publicada neste domingo, aborda as transformações do Rio para receber um número crescente de turistas. O jornal destaca que mudanças como a adoção de cardápios em inglês e a presença de funcionários multilíngues são sinais de uma cidade que está aprendendo a acolher visitantes do mundo inteiro “sem abrir mão das pessoas e dos costumes que a tornam o que ela é”. Ao mesmo tempo, a matéria chama atenção para os efeitos desse processo em algumas comunidades. O texto levanta preocupações sobre a gentrificação em favelas impulsionada pela chegada de visitantes e pelo aumento da procura por imóveis.

Números recordes do turismo carioca

Na reportagem, a jornalista Carla Vianna destaca os números expressivos do turismo no Rio no ano passado: a cidade recebeu 2,1 milhões de visitantes internacionais, um aumento de 45% em relação ao ano anterior. Esse crescimento tem gerado uma série de adaptações na cidade, desde a oferta de serviços até a dinâmica das praias.

Mudanças nas praias e eventos culturais

Ela relata ter percebido mudanças na dinâmica das praias, especialmente no combate aos preços abusivos cobrados de turistas — tema já abordado pelo O GLOBO — e na oferta de eventos que não são tipicamente cariocas, mas que vêm sendo vendidos como parte da experiência cultural da cidade. Como exemplo, cita uma propaganda recebida em Copacabana de uma festa de reggaeton anunciada como “Latin Funk” e “Bem Brasil”, apesar de esse tipo de evento não ser característico do Rio.

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Transformações no comércio e turismo em favelas

A matéria do Washington Post também destaca transformações no comércio local, com a expansão do setor gastronômico, além do crescimento do turismo em favelas. Um dos locais citados é a Porta do Céu, na Rocinha, que viralizou recentemente nas redes sociais. A reportagem descreve turistas formando filas para participar de gravações com drones no local.

Riscos de gentrificação nas comunidades

Apesar dos aspectos positivos, o texto ressalta que esse movimento também traz riscos de gentrificação, especialmente nas comunidades. Com a transformação desses territórios, a reportagem observa que há muitos “moradores antigos saindo, alugando ou vendendo suas casas por preços exorbitantes, tudo porque pessoas de fora estão dispostas a pagar”.

“Hoje em dia, você mal reconhece alguém”, contou uma moradora da Rocinha, a Laryssa Silva. “A Rocinha sempre foi lotada e caótica, mas agora, em uma hora, você vê mais de cinco grupos de 15 turistas cada sendo guiados pela comunidade.”

O desafio de crescer sem perder a identidade

A reportagem termina afirmando que atrair turistas para a capital fluminense já não é mais o principal desafio. A questão agora, segundo o jornal, é como a cidade conseguirá se adaptar a esse crescimento sem perder as pessoas, os costumes e os lugares que fizeram tantos visitantes se apaixonarem pelo Rio.

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