Migrantes venezuelanos que vivem em Boa Vista, Roraima, estão preocupados com familiares na Venezuela após o país ser atingido por dois terremotos na noite de quarta-feira (24). Os tremores provocaram desabamentos, deixaram mais de 160 mortos e centenas de feridos. Os abalos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram com menos de um minuto de diferença e desencadearam pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes, segundo o governo venezuelano.
Relatos de migrantes em Boa Vista
O venezuelano Euclides Amundaray, de 65 anos, pastor e morador de Boa Vista, contou ao g1 que tem um tio e um sobrinho que vivem em Caracas, uma das áreas mais atingidas. Ele ainda não conseguiu contato com os familiares e está preocupado. "Tenho família em Caracas, mas ainda não consegui falar com eles. Não posso falar sobre a situação deles, como é que estão, porque ainda não sei. Tenho que me comunicar para saber qual é a situação deles, saber se eles estão perto ou se estão fora do local", afirmou Euclides. "Temos tido muitos problemas na Venezuela, na parte política, na parte econômica do país. Agora, com este terremoto, complica muito mais as coisas na Venezuela".
Dificuldades de comunicação
A autônoma Ana Del Valle, de 50 anos, também vive em Boa Vista e trabalha vendendo lanches próximo ao Posto de Triagem (Ptrig) da Operação Acolhida, no bairro 13 de Setembro. Ela tem um filho, nora e netos em Caracas e conseguiu falar com o filho apenas na madrugada desta quinta-feira (25). Segundo ela, a falta de internet e energia dificultou o contato. "Na hora eu liguei para ele, mas ele não me atendeu, só lá para as tantas da madrugada, porque a internet e a luz tinham caído, e só naquela hora que conseguiram restaurar tudo isso, essa energia, né, foi quando ele pôde me responder", contou. De acordo com ela, a região onde a família vive não sofreu grandes impactos, mas o sentimento ainda é de preocupação. "[Ele] Vai continuar lá porque a vida dele é lá, a vida dele está estabelecida lá. Mas continuamos preocupados com tudo que é a Venezuela como um todo. É forte para uma mãe estar nessa situação, mas temos que levar com calma", afirmou Ana.
Detalhes sobre os terremotos
Os dois abalos ocorreram pouco após as 19h no horário de Brasília e com menos de um minuto de diferença. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência após os terremotos. Em pronunciamento na televisão estatal, ela afirmou que equipes de resgate, segurança e defesa civil foram mobilizadas. Até a manhã desta quinta-feira, 164 mortes haviam sido confirmadas, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil. O Itamaraty disse que, até o momento, não há notícias de brasileiros entre as vítimas.
Solidariedade internacional
Dezenas de chefes de Estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar ajuda humanitária, produtos médicos e equipes de resgate. Além do Brasil, a lista inclui países como Estados Unidos, Turquia, México e Portugal. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mandado todas as agências do governo americano ajudarem.
Impactos no Brasil
A Rede Sismográfica Brasileira informou que os terremotos foram registrados por estações de monitoramento no país e sentidos por moradores de cidades da Região Norte, como Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá. A Venezuela fica em uma área de intensa atividade sísmica, na região de encontro entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. O país já registrou terremotos devastadores, como em 1812, quando um tremor atingiu Caracas e Mérida e deixou cerca de 30 mil mortos.



