Uma venezuelana que reside em Cascavel, no Oeste do Paraná, vive momentos de angústia desde o duplo terremoto que atingiu a Venezuela no último dia 24 de junho de 2026. Margarida Valentina Lopez Palacius, que está no Brasil há três anos, conta que seu sobrinho precisou pular pela janela de um prédio momentos antes do desabamento da estrutura. Desde então, a família não conseguiu mais contato com ele.
“Meu sobrinho se jogou pela janela porque viu que o edifício estava caindo. Graças a Deus ele está vivo, mas não sabemos onde está. Imaginamos que tenha ido para um hotel”, relatou Margarida. Ela informou que o sobrinho morava no terceiro ou quarto andar do edifício, mas não se lembra com exatidão.
Detalhes do terremoto e impacto na Venezuela
Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o país, com menos de um minuto de intervalo, por volta das 19h no horário de Brasília. O epicentro do tremor principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. Segundo o governo venezuelano, pelo menos 20 réplicas ocorreram nas horas seguintes. Prédios e casas desabaram na capital Caracas e em outras cidades, deixando 164 mortos e dezenas de feridos. Os tremores foram sentidos em cidades do Norte do Brasil.
Desespero de familiares sem notícias
Além da preocupação com o sobrinho, Margarida está sem notícias de outros parentes que vivem em áreas afetadas. “Não conseguia contato porque não havia luz, nem água. Não tinha como me comunicar com eles. Tenho familiares em vários estados e alguns já disseram que estão bem. Mas quem está em Caracas ainda não respondeu”, disse.
De acordo com dados da Polícia Federal (PF), Cascavel abriga atualmente 4.958 imigrantes venezuelanos. Muitos deles também buscam informações sobre seus entes queridos.
Medidas das autoridades venezuelanas
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência após os terremotos. Em pronunciamento na televisão estatal, ela afirmou que equipes de resgate, segurança e assistência civil foram mobilizadas para atender as áreas afetadas. Também anunciou a suspensão de aulas e de todos os serviços não essenciais, para que as autoridades se concentrem no resgate de pessoas que estão sob os escombros. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para evitar uma tragédia maior.
Comemoração por sobreviventes
Imagens da imprensa e das redes sociais mostram a comemoração dos venezuelanos a cada sobrevivente encontrado com vida após os tremores, considerados os piores a atingirem o país em 100 anos. Equipes de resgate trabalham incansavelmente para localizar possíveis vítimas nos escombros.
A comunidade internacional ofereceu ajuda humanitária à Venezuela, e países vizinhos como Brasil e Colômbia já disponibilizaram equipes de busca e suprimentos emergenciais. A situação permanece crítica, e a expectativa é que o número de vítimas possa aumentar à medida que as buscas avançam.



