As vendas de moradias novas nos Estados Unidos registraram crescimento de 0,6% em junho na comparação com maio, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 617 mil unidades, informou o Departamento de Comércio nesta sexta-feira. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava 640 mil unidades, segundo consenso da Reuters.
Desempenho regional e estoque
No comparativo interanual, as vendas de junho foram 5,4% inferiores ao mesmo mês de 2025. Apesar do avanço mensal, o ritmo de vendas permanece moderado, influenciado por taxas de juros elevadas e preços ainda altos no mercado imobiliário. O preço médio das moradias novas vendidas em junho foi de US$ 434.500, uma queda de 1,2% em relação ao ano anterior.
O estoque de moradias novas disponíveis para venda ao final de junho era de 481 mil unidades, o que representa 9,3 meses de oferta no ritmo atual de vendas. Esse indicador, embora elevado, mostra ligeira melhora em relação aos 9,5 meses registrados em maio.
Impacto das taxas de juros
O mercado imobiliário americano continua pressionado pela política monetária restritiva do Federal Reserve. A taxa básica de juros, atualmente na faixa de 5,25% a 5,50%, encarece o financiamento imobiliário e reduz a acessibilidade para compradores. "As vendas de moradias novas estão se estabilizando em níveis baixos, mas o cenário de juros elevados ainda limita uma recuperação mais forte", disse Robert Frick, economista da Navy Federal Credit Union.
Regionalmente, as vendas cresceram 13,2% no Nordeste e 4,9% no Meio-Oeste, mas caíram 6,1% no Sul e 3,8% no Oeste. O Sul, que responde pela maior fatia do mercado, registrou a queda mais expressiva, refletindo a desaceleração em estados como Texas e Flórida, que haviam impulsionado o mercado nos anos anteriores.
Perspectivas
Analistas esperam que o mercado de moradias novas continue enfrentando desafios nos próximos meses, com a possibilidade de cortes de juros apenas no final de 2026. A combinação de estoque elevado e demanda moderada deve manter os preços sob pressão, beneficiando compradores com maior poder de negociação. Contudo, a escassez de moradias usadas à venda, devido ao efeito lock-in de proprietários com taxas baixas, pode redirecionar a demanda para o segmento de novas construções.
O governo federal anunciou recentemente medidas para ampliar a oferta de crédito habitacional, mas o impacto deve ser gradual. O Departamento de Comércio também revisou os dados de maio, de 619 mil para 614 mil unidades, indicando que o mercado pode estar mais fraco do que o inicialmente reportado.



