As exportações brasileiras para o México registraram queda de 42,5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A retração é atribuída à taxação de 25% imposta pelo governo mexicano sobre aço e alumínio brasileiros, em vigor desde janeiro, como parte de medidas protecionistas.
Impacto da taxação nas vendas
De acordo com a CNI, o valor total exportado caiu de US$ 4,2 bilhões para US$ 2,4 bilhões. Apenas em junho, a queda foi de 38% ante o mesmo mês de 2025. Os setores mais afetados foram siderurgia, com recuo de 51%, e metalurgia, com 47%. “A taxação mexicana está gerando um efeito cascata na indústria brasileira, especialmente em Minas Gerais e São Paulo, onde se concentram as plantas siderúrgicas”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Setores mais atingidos
Além do aço e alumínio, a taxação atingiu produtos químicos e plásticos, com quedas de 35% e 28%, respectivamente. A CNI estima que cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos estão ameaçados no Brasil. O México é o segundo maior destino das exportações brasileiras de manufaturados na América Latina, atrás apenas da Argentina.
Reação do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores informou que está em negociação com o governo mexicano para reverter a medida. “Estamos buscando um acordo bilateral que preserve o fluxo comercial e evite prejuízos maiores”, disse o chanceler Mauro Vieira. No entanto, fontes diplomáticas indicam que as conversas estão emperradas devido à resistência mexicana em conceder exceções.
Perspectivas para o segundo semestre
A CNI projeta que, se a taxação for mantida, as exportações para o México podem fechar o ano com queda de até 50% em relação a 2025. “Precisamos de uma solução urgente. A indústria brasileira não pode arcar com esse custo sozinha”, alertou Alban. A entidade defende a abertura de uma consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida mexicana.



