Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), causando ao menos 164 mortos e destruição em Caracas, segundo o governo venezuelano. Os abalos sísmicos, ocorridos por volta das 19h (horário de Brasília), com menos de um minuto de intervalo, foram sentidos também em Manaus e em outros municípios do Amazonas, como Barcelos e Iranduba. A Defesa Civil do Amazonas informou que não houve registros de danos estruturais ou vítimas no estado.
Venezuelana em Manaus relata angústia com familiares em Caracas
A empreendedora venezuelana Barbarelys Tablante, que mora em Manaus, passou horas sem conseguir contato com familiares que vivem no bairro São José de Cotiza, em Caracas, uma das áreas mais afetadas. Ela compartilhou vídeos e imagens enviados pelos parentes que mostram rachaduras nas paredes, partes da estrutura desprendidas e entulhos espalhados pelo chão do prédio onde moram. Todos os moradores foram evacuados por segurança. "Foi uma situação verdadeiramente aterrorizante e angustiante, um momento que ninguém esperava", relatou. A prima de Barbarelys conseguiu deixar o prédio logo após o início dos tremores e passou a procurar a mãe, que não foi encontrada imediatamente. "Minha prima saiu e começou a procurar minha tia. Não conseguiram encontrá-la de imediato. Quando ela apareceu, estava em crise e em pânico, mas felizmente estava bem. Era apenas o choque", contou. Após a evacuação, os moradores aguardaram a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para avaliar a segurança do edifício. Barbarelys só conseguiu falar com os familiares cerca de duas horas e meia após o terremoto. "Graças a Deus elas estão bem. Depois de duas horas e meia consegui falar com elas, mas a situação em outras áreas próximas da cidade era devastadora", disse.
Outros venezuelanos em Manaus também se preocupam
A venezuelana Luisa Maria Barreto Villafana, que vive em Manaus há sete anos, disse que seus familiares não estavam em áreas atingidas. "Minha família mora na parte oriental, lá em Anzuato, que não pegou muito forte o terremoto. Graças a Deus, eles estão bem", explicou. Ela recebeu vídeos de estragos em outras regiões e mencionou que países estão ajudando a localizar desaparecidos. Já a manicure Yudith Garcia, de 45 anos, procurou notícias de amigos em Caracas assim que soube dos terremotos. "Era umas 18h20, quando a gente estava assistindo o jogo aqui em Manaus. Os meus amigos moram na Carlota, perto do Aeroporto em Caracas. É uma família de 12 pessoas. Mas eles estão bem, graças a Deus, só danos materiais", afirmou.
Tremores sentidos em Manaus e no interior do Amazonas
Moradores de Manaus relataram ter sentido prédios e apartamentos balançarem na noite de quarta-feira. Vídeos mostram lustres se movimentando e pessoas deixando imóveis por precaução. No Condomínio Singolare, na Avenida Mário Ypiranga, um residente contou: "Moro aqui no Singolare e percebemos que a torre estava tremendo. Minha esposa veio correndo perguntar o que estava acontecendo porque tudo estava balançando. Então descemos e avisamos os vizinhos". A Defesa Civil do Amazonas confirmou que os tremores também foram sentidos em Barcelos e Iranduba, sem danos estruturais ou vítimas.
Resgate e estado de emergência na Venezuela
Os terremotos deixaram ao menos 164 mortos e mobilizaram mais de 500 equipes de resgate. O epicentro do terremoto principal foi próximo a El Guayabo, a cerca de 160 km de Caracas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou que o número de mortos pode variar entre 10 mil e 100 mil. O Ministério das Relações Exteriores informou que não há registro de brasileiros entre as vítimas. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência, suspendeu aulas e serviços não essenciais, e desligou redes de gás e energia elétrica em algumas regiões como medida preventiva.



