Terremoto na Venezuela deixa 188 mortos; comunidade no RS sofre
Terremoto na Venezuela: 188 mortos; comunidade no RS sofre

Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na quarta-feira (24), em intervalo de menos de um minuto, derrubando prédios em Caracas e causando pânico. Até a última atualização, as autoridades confirmavam 188 mortes e 1.520 feridos.

Comunidade venezuelana no Brasil em desespero

O Brasil, que abriga uma grande comunidade de imigrantes venezuelanos, especialmente no Rio Grande do Sul, sente o impacto da tragédia. Roxanna Bastardo, cabeleireira que mora em Novo Hamburgo, há oito anos fora da Venezuela, relata o desespero: “Toda a minha vida está lá mesmo”. Sua família — pais, irmão, primos e primas — ainda reside no país, no estado de Bolívar, que faz fronteira com Roraima e foi menos atingido. Porém, uma prima que mora em Caracas, próxima ao epicentro, perdeu tudo. “Ela perdeu casa, carro. Tem vizinhos que faleceram. Ela e o marido estão muito mal”, conta Roxanna.

Comparação com a tragédia no Rio Grande do Sul

Roxanna compara a situação com a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024: “Muitos venezuelanos perderam a casa. Tenho uma colega de Porto Alegre que viajou para São Paulo e quando voltou para trabalhar vendendo roupas, tinha perdido tudo no alagamento”. Ela descreve o sentimento como “desespero, tristeza, dor, muita coisa junto”.

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Falta de infraestrutura agrava crise

Eddy Betancourt, também venezuelano radicado em Porto Alegre, onde vende pratos típicos no Raízes Culinárias, preocupa-se com o tratamento dos feridos. “Outra coisa que complica é a situação do país. Não tem hospital, não tem medicamento. Como vão fazer com as pessoas que se encontram vivas? Têm pessoas feridas e não há nada no hospital nem cama. Um amigo falou que não vai poder transportar pessoas porque não tem helicóptero. Não tem um helicóptero. Você acredita nisso?”, questiona.

Desaparecidos e famílias separadas

Eddy relata que um vizinho em Porto Alegre tem uma filha desaparecida na Venezuela. “A filha mora na Venezuela e está desaparecida. Ele e a mulher estão aqui no Brasil e a filha estava com o avô. Fomos até a casa dele e a porta estava fechada. Não conseguimos falar com ele”, lamenta. A comunidade venezuelana no Brasil acompanha com apreensão o desenrolar da tragédia, enquanto aguarda notícias de familiares e amigos.

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