O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil pode ter um impacto menor do que inicialmente previsto, devido a mais de 2 mil exceções listadas na medida. Produtos como carne, café e terras-raras estão entre os itens que não serão sobretaxados, aliviando setores estratégicos da economia brasileira.
Exceções amenizam efeitos do tarifaço
Segundo análise de especialistas, a lista de exceções inclui itens essenciais para a pauta exportadora brasileira. A carne bovina, por exemplo, um dos principais produtos vendidos aos EUA, ficou de fora da tarifa. O café, outro destaque, também não será afetado. As terras-raras, minerais críticos para tecnologia, igualmente foram excluídas.
A medida, anunciada pelo governo Trump, gerou apreensão no mercado brasileiro, mas a amplitude das exceções pode reduzir o impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Estima-se que apenas 30% das exportações brasileiras para os EUA serão efetivamente sobretaxadas.
Lei da Reciprocidade embasa tarifaço
O tarifaço foi baseado na Lei da Reciprocidade, que permite aos EUA impor tarifas equivalentes às barreiras comerciais impostas por outros países. A lei foi utilizada pela primeira vez neste contexto, gerando debates sobre sua legalidade na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, mas também busca uma negociação direta com Washington. O Ministério das Relações Exteriores já sinalizou que pode recorrer à OMC caso as tarifas sejam consideradas desproporcionais.
Impacto imediato nos mercados
O anúncio do tarifaço provocou queda na Bolsa de Valores brasileira (Bovespa), que recuou para 174 mil pontos. Os juros futuros também subiram, com o Tesouro IPCA+ registrando alta em toda a curva, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos.
No mercado de trabalho americano, os pedidos semanais de auxílio-desemprego caíram, indicando resiliência da economia dos EUA, o que pode influenciar a postura de Trump em futuras negociações.
Reação da indústria e do governo
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado com uma diplomacia mais ativa. Já o presidente Lula declarou: “É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, referindo-se à herança diplomática do governo anterior.
O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, comparou Lula ao presidente Joe Biden e disse que o Brasil é um “avião sem piloto” diante da crise tarifária.
Perspectivas para o comércio bilateral
Analistas acreditam que o tarifaço pode ser um instrumento de pressão para futuras negociações comerciais. O Brasil, como maior economia da América Latina, tem margem para retaliar em setores como o de aeronaves e suco de laranja. No entanto, a preferência é por uma solução negociada, evitando uma guerra comercial que prejudicaria ambos os países.
Enquanto isso, as empresas brasileiras afetadas buscam diversificar mercados, especialmente na Ásia e na Europa, para reduzir a dependência dos EUA.



