O Senado dos Estados Unidos bloqueou nesta terça-feira (14) a votação de um pacote de defesa de US$ 1,15 trilhão, após senadores democratas levantarem objeções relacionadas a uma potencial guerra com o Irã. A manobra parlamentar impediu que o projeto avançasse, exigindo que o Congresso debata e vote uma autorização para o uso da força militar (AUMF) contra o país persa.
Objeções democratas ao pacote de defesa
Liderados pelo senador Tim Kaine (Virgínia), os democratas argumentam que o pacote de defesa, conhecido como National Defense Authorization Act (NDAA), não pode ser aprovado sem que haja uma discussão clara sobre os limites do poder presidencial para iniciar um conflito com o Irã. Kaine afirmou que "o Congresso não pode continuar a financiar uma guerra não autorizada" e que a aprovação do NDAA sem uma AUMF seria "irresponsável".
O pacote de US$ 1,15 trilhão inclui aumentos salariais para militares, compra de novos equipamentos e financiamento para programas de defesa cibernética e espacial. No entanto, os democratas condicionaram seu apoio à inclusão de uma emenda que exigiria que o presidente Joe Biden obtivesse aprovação do Congresso antes de qualquer ataque militar ao Irã.
Contexto das tensões com o Irã
As objeções ocorrem em meio ao aumento das tensões entre os EUA e o Irã, após ataques a navios no Golfo Pérsico e alegações de que Teerã estaria fornecendo drones à Rússia para uso na Ucrânia. O governo Biden tem adotado uma postura de dissuasão, mas sem buscar uma autorização formal do Congresso para ações militares. A Casa Branca defende que tem autoridade constitucional para defender tropas e interesses nacionais sem aprovação legislativa prévia.
Impacto no calendário legislativo
O bloqueio do NDAA pode atrasar a aprovação do orçamento de defesa para o ano fiscal de 2025, que começa em 1º de outubro. Caso o impasse persista, o Pentágono pode operar sob uma resolução continuada, o que limitaria novos gastos. Líderes republicanos criticaram a manobra, acusando os democratas de colocar em risco a segurança nacional. O senador Jim Inhofe (Oklahoma), membro do Comitê de Forças Armadas, disse que "brincar com o orçamento de defesa é um jogo perigoso".
Próximos passos
O presidente da Comissão de Forças Armadas do Senado, Jack Reed (Rhode Island), afirmou que as negociações continuam e que uma versão revisada do projeto pode ser apresentada nos próximos dias. A expectativa é que os democratas apresentem uma proposta de AUMF específica para o Irã, que seria debatida separadamente. Enquanto isso, o governo Biden monitora de perto as movimentações iranianas, incluindo o enriquecimento de urânio a níveis próximos ao de grau militar.



