O Rio de Janeiro registra, em média, um roubo a cada oito minutos, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados 25.425 roubos de todos os tipos na capital fluminense – uma queda de 6% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 27.136 ocorrências. Apesar da redução, a cidade ainda soma sete roubos por hora, o que transforma parar em um sinal de trânsito em momento de tensão para motoristas.
Rotina de medo nos cruzamentos
Na Avenida Lineu de Paula Machado, na Lagoa (Zona Sul), câmeras flagraram um assalto às 19h30 de uma quarta-feira. Um homem em uma motocicleta parou ao lado de um carro, sacou o que parecia ser uma arma e rendeu o motorista. A vítima entregou o celular imediatamente. Antes de fugir, o criminoso ainda intimidou um pedestre e obrigou a vítima a entregar outro objeto. Toda a ação durou menos de 40 segundos. O trecho tem patrulhamento policial, mas moradores afirmam que as viaturas passam em intervalos, o que é aproveitado pelos criminosos.
Estratégias de motoristas na Barra da Tijuca
Na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, praticamente nenhum motorista circula com os vidros abertos. O empresário Rafael de Almeida diz que a sensação de insegurança mudou seus hábitos: “Hoje eu mantenho o vidro fechado por causa da falta de segurança. Já vi criminosos saindo do mato para atacar carros parados na Barra Olímpica. A gente tenta proteger a família.” O motorista José Carlos Palácio afirma que a violência transformou completamente a região: “É uma insegurança muito grande andar em certos lugares, principalmente na Barra.”
Durante a gravação da reportagem, equipes da Polícia Militar foram vistas em frente ao Freeway e no cruzamento da Avenida das Américas com a Avenida Luís Carlos Prestes. Agentes da Força Municipal também faziam patrulhamento nas proximidades do BarraShopping. Mesmo assim, quem passa pela região cria estratégias para reduzir os riscos. A líder de limpeza Ana Graça Santana conta que só tira o celular da bolsa em situações de emergência. Já a maquiadora Lívia Silva diz que prefere esconder o aparelho na roupa e espera o ônibus apenas quando há outras pessoas no ponto: “Procuro ficar atrás do abrigo para ninguém me ver. Aqui no Rio a gente precisa estar sempre atento.”
A supervisora de laboratório Ana Carla Sampaio Carneiro, de 28 anos, afirma que já foi assaltada dez vezes: “É uma dor que todos nós sentimos. A gente precisa ter o direito de ir e vir sem medo.”
Tentativa de assalto na Avenida Brasil
Na noite de segunda-feira, outro flagrante mostrou como o trânsito parado favorece a ação dos criminosos. Na Avenida Brasil, em Ramos, dois homens tentaram assaltar os ocupantes de uma caminhonete que estava parada. O motorista que registrava a cena deu marcha à ré, permitindo que as vítimas escapassem.
Motoristas evitam sinais específicos
No Engenho Novo, um dos pontos que mais preocupa motoristas é o cruzamento conhecido como Buraco do Padre. Uma motorista de aplicativo afirma que evita passar pelo local em determinados horários: “Fico muito tensa. Já fui abordada com uma pistola batendo no vidro do carro. Levaram meu celular e o da passageira. Já vi arrastão no carro da frente.” Um taxista ouvido pela reportagem também mudou a rotina: “Vidro sempre fechado e atenção redobrada. Aqui realmente falta mais policiamento.”
Praça da Bandeira teve reforço após reportagem
Na noite seguinte à exibição da primeira reportagem sobre assaltos em sinais na Praça da Bandeira, o cruzamento das ruas Pará e Teixeira Soares não registrou roubos. Durante toda a noite, havia patrulhamento da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Uma hora após a reportagem ir ao ar, policiais militares fizeram buscas nas margens do Rio Maracanã, próximo à estação de metrô de São Cristóvão, área apontada por moradores como rota de fuga dos criminosos. Ninguém foi preso.
O que dizem as polícias
A Polícia Militar informou que realiza patrulhamento diário em todas as regiões da cidade com apoio de tecnologia e inteligência. Segundo a corporação, o policiamento é reforçado nas áreas com maior incidência de roubos a pedestres e motoristas, além das vias expressas. A PM afirma que a redução dos índices de criminalidade é resultado do planejamento baseado em dados e da atuação permanente das equipes nas ruas. Já a Polícia Civil informou que atua de forma integrada para desarticular organizações criminosas envolvidas em roubos e outros delitos. A corporação afirmou que as investigações são permanentes e baseadas em critérios técnicos, além de reforçar a importância de que todas as vítimas registrem ocorrência para auxiliar o trabalho de investigação.



