Um projeto de lei apresentado no Senado dos Estados Unidos propõe sanções contra a Rússia, mas com cláusulas que amenizam o impacto sobre países como China e Índia, que continuam a comprar petróleo russo. A medida busca equilibrar a pressão sobre Moscou sem provocar uma escalada de tensões com grandes economias emergentes.
Detalhes da proposta
O texto, liderado pelo senador republicano Lindsey Graham e pelo democrata Richard Blumenthal, prevê sanções a entidades que facilitam a venda de petróleo russo acima de um teto de preço estabelecido pelo G7. No entanto, diferentemente de versões anteriores, a proposta exclui penalidades automáticas a países que compram o petróleo para refino doméstico, desde que não revendam a nações que impuseram sanções à Rússia.
Segundo analistas, a mudança beneficia diretamente a China e a Índia, que se tornaram os maiores compradores de petróleo russo após o início da guerra na Ucrânia. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que as importações chinesas de petróleo russo cresceram 45% em 2025, enquanto as indianas aumentaram 30%.
Impacto geopolítico
A suavização das sanções secundárias é vista como uma tentativa de evitar um confronto direto com Pequim e Nova Déli, que têm evitado condenar abertamente a invasão russa. "A proposta reconhece que sanções muito amplas poderiam prejudicar aliados importantes e desestabilizar os mercados globais de energia", afirmou um assessor do senador Graham, sob condição de anonimato.
Especialistas apontam que a medida também reflete a pressão de setores industriais dos EUA, que temem que sanções mais duras elevem os preços do petróleo e da gasolina em ano eleitoral. "O governo Biden precisa equilibrar a política externa com a economia doméstica", disse Maria Tavares, analista do Centro de Estudos Estratégicos de Washington.
Reações internacionais
A Rússia classificou a proposta como "hostil", mas reconheceu que as exceções para China e Índia indicam divisões no Ocidente. Já Pequim evitou comentários diretos, enquanto Nova Déli celebrou a abordagem "pragmática" do Senado americano.
O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes e sancionado pelo presidente Joe Biden para se tornar lei. Analistas preveem que o texto final pode sofrer alterações, especialmente em relação ao teto de preço do petróleo.



