Uma pesquisa recente do Pew Research Center, divulgada em julho de 2026, indica que a confiança global na China ultrapassou a dos Estados Unidos pela primeira vez em décadas. De acordo com o estudo, 48% dos entrevistados em 24 países têm uma visão favorável da China, contra 44% dos EUA. O levantamento ouviu mais de 20 mil pessoas entre maio e junho de 2026.
Onde a China ganha mais confiança
A vantagem chinesa é mais acentuada na África e na Ásia. Na Nigéria, 72% expressaram confiança na China, enquanto apenas 38% confiam nos EUA. No Quênia, os números são de 68% para a China e 41% para os EUA. Já na Indonésia, a diferença é de 25 pontos percentuais: 65% contra 40%.
Segundo o analista político Richard Wike, do Pew Research Center, "a China tem investido maciçamente em infraestrutura e saúde pública em países em desenvolvimento, o que cria um vínculo positivo de longo prazo".
Fatores que explicam a mudança
O declínio da confiança nos EUA é atribuído a fatores como instabilidade política interna, retirada de acordos internacionais e percepção de unilateralismo. Em contrapartida, a China mantém uma postura de não intervenção nos assuntos internos e oferece parcerias econômicas concretas, como a Iniciativa do Cinturão e Rota (Belt and Road), que já investiu mais de US$ 1 trilhão em projetos globais desde 2013.
Na América Latina, a China também lidera: no Brasil, 54% confiam mais no país asiático, contra 36% nos EUA. O economista brasileiro Marcos Troyjo destaca: "A China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil e financia obras de infraestrutura que os EUA não acompanham".
Impacto nas relações internacionais
Essa mudança de percepção tem consequências diretas. Países como a Arábia Saudita, que historicamente alinhavam-se com Washington, agora diversificam suas parcerias. Em maio de 2026, Riad assinou um acordo de cooperação tecnológica de US$ 15 bilhões com Pequim, enquanto reduz compras de armas americanas.
Para a Europa, a confiança ainda pende para os EUA, mas a diferença encolheu. Na Alemanha, 52% confiam nos EUA contra 48% na China — uma margem de apenas 4 pontos, quando em 2020 era de 22 pontos.
O que esperar para o futuro
Especialistas apontam que a tendência deve se consolidar se os EUA não recuperarem sua imagem de liderança global. "A confiança não se reconstrói com discursos, mas com ações consistentes", afirma a cientista política Wang Jisi, da Universidade de Pequim. "A China oferece resultados concretos, enquanto os EUA estão presos em batalhas internas."
O relatório do Pew conclui que, caso os EUA não revertam essa percepção, a China poderá se tornar o país mais influente do mundo em termos de soft power até 2030.



