Pesquisador indígena destaca arte no Festival de Parintins
Pesquisador indígena exalta arte no Festival de Parintins

O antropólogo e pesquisador indígena João Paulo Lima Barreto, conhecido pelo nome indígena Yupuri, do povo Tukano, desembarcou em Parintins na terça-feira (23) com a caravana do Movimento Amigos do Garantido (MAG). Ao chegar à Cidade Garantido, ele destacou a importância do Festival Folclórico de Parintins para dar visibilidade aos conhecimentos, à cultura e às lutas dos povos indígenas.

Festival como vitrine para os povos originários

Segundo João Paulo, o festival tem se consolidado como um espaço para divulgar a realidade dos povos originários e temas ligados à preservação da floresta, dos rios e dos territórios indígenas. "Esse Festival de Parintins, o Boi-Bumbá, tem dado uma visibilidade muito grande, tanto para os aspectos regionais quanto, sobretudo, para os conhecimentos indígenas. É o canal que nos possibilita divulgar a nossa existência, a nossa luta e a nossa vida com tudo o que está em nosso entorno: água, terra, floresta, rios e animais", afirmou ao g1.

Fundador do Centro de Medicina Indígena Bahserikowi, em Manaus, e primeiro indígena a conquistar o título de doutor em Antropologia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), João Paulo afirmou que o Bumbódromo amplia o alcance de discussões importantes. Entre elas, estão a valorização dos saberes tradicionais, a defesa dos territórios indígenas e a demarcação de terras. "A gente tem essa oportunidade de divulgar quem nós somos, onde vivemos, o que fazemos e como pensamos", disse.

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Pesquisa inspira toada do Garantido

A ligação do pesquisador com o Boi Garantido também passa pela produção acadêmica. Estudos desenvolvidos por ele sobre os Kumu, especialistas indígenas responsáveis por conhecimentos tradicionais de cura e cuidado, inspiraram a toada "Bahsese", que integra o repertório do bumbá. A música foi criada a partir de pesquisas sobre os conhecimentos ancestrais relacionados à saúde e ao cuidado nos povos indígenas. "Existe uma música chamada Bahsese, que foi composta a partir do meu trabalho de pesquisa. Hoje, isso se torna uma potência para a gente falar sobre a nossa tecnologia de cuidado, que é a saúde", afirmou. João Paulo também destacou que realiza esse trabalho de intercâmbio de conhecimentos dentro da universidade ao lado de outros pesquisadores indígenas, como Jafati e Socorro.

Arte como linguagem universal

Para o antropólogo, transformar pesquisas científicas e conhecimentos ancestrais em arte facilita o diálogo com a sociedade e aproxima temas que muitas vezes ficam restritos ao ambiente acadêmico. "Eu costumo dizer que a arte é uma linguagem que todo mundo compreende, que todo mundo tem acesso. É fácil falar em movimento, canto e pinturas. Tudo isso entra para nós como uma possibilidade de falar", explicou. Segundo ele, a arte consegue comunicar de forma mais simples assuntos que, em outros contextos, podem parecer distantes da população. "Muitas coisas que a gente fala academicamente ou religiosamente ninguém consegue entender. Parece que distancia as pessoas. Mas a arte não. A arte é esse espaço que nos possibilita isso", acrescentou.

Emoção e expectativa para 2025

Homenageado pelo Boi Garantido no festival do ano passado, quando a agremiação conquistou o título, João Paulo disse que retorna à ilha com gratidão e expectativa para a disputa deste ano. Segundo ele, a emoção de ver os conhecimentos indígenas representados na arena é difícil de traduzir em palavras. "A gente fica sem palavras. Fica impressionado sem poder expressar na forma de voz, a não ser cantar. O canto é a nossa expressão mais confidencial", afirmou. O pesquisador também lembrou a homenagem recebida em 2025 e disse estar otimista para a busca de mais um título do Garantido. "No ano passado fomos homenageados e ganhamos. Este ano voltamos animados para ganhar novamente", concluiu.

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