Peru: apuração lenta e contestação de Sánchez travam resultado eleitoral
Peru: apuração lenta e contestação travam resultado eleitoral

Apuração se arrasta por mais de duas semanas após segundo turno

O segundo turno das eleições presidenciais do Peru, realizado em 7 de junho, ainda não tem um vencedor oficial. Com 99,71% das urnas apuradas, a candidata conservadora Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, soma 50,11% dos votos válidos, enquanto o esquerdista Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, tem 49,89%. A diferença é de aproximadamente 40 mil votos em um universo de mais de 19 milhões de votos válidos. A demora na proclamação do resultado se deve à contestação de Sánchez e à análise de atas contestadas, que representavam cerca de 82 mil votos no início da semana.

Sánchez alega fraude e recorre contra votos do exterior

Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (23), Sánchez afirmou que não reconhece o resultado e que "há fraude em curso". Ele convocou apoiadores para novas marchas de protesto no sábado (27). "Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori", declarou, acusando a ONPE (autoridade eleitoral) e a campanha adversária de irregularidades nos votos do exterior. Na segunda-feira (22), Sánchez apresentou um recurso para anular os votos dos peruanos residentes no exterior, onde Fujimori obteve 63,2% dos votos. O candidato alega que a mudança no procedimento de envio das atas – que passaram a ser enviadas fisicamente por malote diplomático em vez de digitalizadas – constitui "grave violação" das normas eleitorais.

Especialistas consideram recurso sem fundamento jurídico

Advogados especializados em direito eleitoral ouvidos pelo jornal El Comercio afirmam que o pedido de Sánchez não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial. O recurso pede a anulação das eleições organizadas pelos 119 consulados. "O processo eleitoral foi gravemente afetado pelas mudanças introduzidas a pedido do Poder Executivo, especialmente no segundo turno", disse Sánchez no X, sem apresentar provas. A vantagem de Fujimori se deve justamente aos votos do exterior: se excluídos, Sánchez teria cerca de 25 mil votos a mais.

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Fujimori aguarda com calma; UE vê eleição organizada

Keiko Fujimori afirmou que vai aguardar a conclusão total da apuração antes de reivindicar a vitória. O partido Fuerza Popular também adota tom de cautela. A missão de observação da União Europeia considerou que o segundo turno transcorreu de maneira "calma e organizada", apesar da forte polarização. O país vive anos de instabilidade política; o presidente eleito tomará posse em 28 de julho e será o nono chefe de Estado em dez anos.

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