Governador Valadares registra 4 feminicídios e 2.500 casos de violência doméstica em 2026
4 feminicídios e 2.500 casos de violência doméstica em 2026

Violência contra a mulher em números

A regional de polícia de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, registrou pelo menos 2.500 boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica e quatro feminicídios em 2026, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Os números revelam a dimensão dos casos de violência contra a mulher no município ao longo do ano.

Casos recentes de feminicídio

Entre os casos mais recentes está o da advogada Ana Paula Rocha, assassinada na última terça-feira (16) pelo ex-marido, no Centro da cidade. Horas antes do crime, o Ministério Público havia protocolado um novo pedido de prisão preventiva contra o suspeito por descumprimento de medidas protetivas. Além dela, outras três mulheres foram vítimas de feminicídio na região neste ano.

No dia 4 de janeiro, Maria Eduarda Alves Lima, de 20 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado em Mathias Lobato. O suspeito foi preso posteriormente em Itambacuri. Já no dia 25 de janeiro, Brenda Luiza Rocha dos Santos, de 21 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro no bairro Jardim Pérola, em Governador Valadares. O crime ocorreu na frente da filha do casal, de 2 anos. O homem fugiu após o ataque, mas acabou preso. Segundo a Sejusp, um terceiro feminicídio também foi registrado em março na região.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Mulher busca refúgio em delegacia

Na mesma semana em que Ana Paula foi assassinada, uma mulher procurou a Delegacia da Polícia Civil durante a madrugada para fugir do ex-companheiro. Segundo a Polícia Militar, ela relatou ter sido perseguida e agredida após decidir encerrar o relacionamento.

Rede de apoio e manifestação

Um dia após o assassinato da advogada, profissionais do Direito realizaram uma manifestação em Governador Valadares para cobrar medidas mais efetivas de combate à violência contra a mulher. A advogada Mariane Campos destacou a importância de que vítimas busquem ajuda e acionem a rede de proteção disponível. "Você mulher, fique segura. Vá para um lugar seguro, denuncie e busque uma rede de apoio para se restabelecer", afirmou. Segundo a Polícia Militar, mulheres que registram ocorrências de violência doméstica podem ser acompanhadas por equipes especializadas. "O acompanhamento é feito até cessar o ciclo da violência. Nossa função é proteger essa mulher e cessar a violência", explicou a Sargento Dayana de Oliveira, da Polícia Militar.

Desafio vai além da atuação policial

Para a psicóloga e investigadora da Polícia Civil, Regiane Rither, o enfrentamento à violência contra a mulher depende não apenas da aplicação das leis, mas também de mudanças culturais. "Vamos ter que investir nas novas gerações, dentro das escolas, dos lares e dos demais espaços de formação", afirmou. Segundo especialistas, o aumento do número de registros também pode estar relacionado à maior procura das vítimas pelos canais de denúncia e proteção.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar