Justiça da Bolívia emite mandado de prisão contra Evo Morales por protestos
Justiça da Bolívia emite mandado de prisão contra Evo

A Justiça da Bolívia emitiu um mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales, acusando-o de liderar os protestos que paralisaram o país nas últimas semanas. A medida foi anunciada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, que investiga Morales por suposta participação em bloqueios de estradas que provocaram desabastecimento de alimentos e combustíveis, além de intensificarem a crise política que atinge o país.

Acusações de levante armado e terrorismo

Segundo as autoridades, as acusações incluem levante armado e terrorismo, crimes que podem resultar em penas severas. A investigação aponta que Morales teria coordenado grupos de apoiadores para obstruir vias estratégicas, impedindo o trânsito de mercadorias e pessoas. Os bloqueios, que duraram dias, geraram perdas econômicas significativas e levaram o governo a declarar estado de emergência.

O mandado de prisão foi emitido após uma investigação de meses, que coletou depoimentos e provas documentais. O juiz responsável pelo caso, Luis Alberto Ramírez, determinou a prisão preventiva de Morales, considerando o risco de fuga e a gravidade das acusações. De acordo com a decisão judicial, Morales é considerado foragido e deve se apresentar às autoridades em até 48 horas.

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Crise política e desabastecimento

Os bloqueios, iniciados em setembro de 2025, foram organizados por sindicatos rurais e grupos de cocaleiros, tradicionais apoiadores de Morales. Eles protestavam contra políticas do governo de Luis Arce, ex-aliado de Morales, que se tornou seu adversário político. A paralisação afetou o abastecimento de gasolina e alimentos em La Paz e outras cidades, gerando filas e desabastecimento.

A crise política se agravou com a divisão no partido governista, o Movimento ao Socialismo (MAS), que se fragmentou entre os seguidores de Morales e Arce. A disputa interna levou a protestos simultâneos em várias regiões, com confrontos entre grupos rivais. O governo de Arce acusou Morales de tentar desestabilizar o país para retornar ao poder.

Reação de Evo Morales

Evo Morales, que governou a Bolívia de 2006 a 2019, nega as acusações e classifica o mandado como uma perseguição política. Segundo seus advogados, Morales está disposto a colaborar com a justiça, desde que haja garantias de um julgamento justo. Em comunicado, a defesa afirmou que o ex-presidente não liderou os protestos e que as acusações são infundadas.

Esta não é a primeira vez que Evo Morales enfrenta acusações judiciais. Em 2020, um mandado de prisão foi emitido contra ele por suposta sedição, mas foi posteriormente arquivado. A nova investida judicial reflete a escalada da tensão entre o ex-presidente e o atual governo.

A comunidade internacional acompanha o caso com atenção. Organizações de direitos humanos expressaram preocupação com a possibilidade de um julgamento politicamente motivado. A Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu que o processo seja conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal.

Enquanto isso, a situação na Bolívia permanece tensa. Os bloqueios foram suspensos após negociações, mas a crise política continua. A prisão de Morales, se concretizada, poderá aprofundar a instabilidade no país, que já enfrenta desafios econômicos e sociais. Os protestos que levaram ao mandado foram os maiores desde a crise de 2019, quando Morales renunciou após alegações de fraude eleitoral. A volta de Morales ao país em 2024 após um período no exterior reacendeu as divisões políticas.

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