O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enxerga uma oportunidade concreta de ampliar a lista de produtos brasileiros isentos do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida, que entra em vigor em agosto de 2026, prevê sobretaxas de até 25% sobre uma ampla gama de importações, mas já conta com um conjunto inicial de exceções. Segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, a equipe econômica brasileira trabalha nos bastidores para incluir itens como aço semi-acabado, suco de laranja e café solúvel, que representaram cerca de US$ 3,5 bilhões em exportações no ano passado.
Negociações em andamento
De acordo com o embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster Júnior, as conversas com o governo americano estão em estágio avançado. "Temos uma janela de oportunidade única para renegociar os termos e garantir que setores estratégicos da nossa economia não sejam prejudicados", afirmou o diplomata em entrevista coletiva na terça-feira. O Itamaraty confirmou que uma missão técnica viajará a Washington na próxima semana para apresentar dados técnicos que justifiquem a inclusão de novos itens na lista de exceções.
Impacto econômico
O tarifaço americano, anunciado em junho pelo presidente Joe Biden, afeta diretamente cerca de 40% das exportações brasileiras para os EUA, que somaram US$ 38 bilhões em 2025. Especialistas estimam que, sem as exceções, o Brasil poderia perder até US$ 5 bilhões em receitas anuais. A ampliação da lista de exceções, portanto, é vista como crucial para minimizar os danos à balança comercial. O ministro da Economia, Fernando Haddad, declarou que "cada produto incluído representa milhares de empregos preservados no Brasil".
Reações do setor produtivo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elogiou a iniciativa do governo, mas alertou para a necessidade de agilidade. "O tempo é curto. Precisamos de resultados concretos antes da vigência das tarifas", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban. A Associação Brasileira de Sucos Tropicais também se manifestou, destacando que o suco de laranja brasileiro responde por 70% do mercado americano. "Qualquer tarifa adicional inviabiliza nossa competitividade frente a concorrentes como a Flórida", argumentou a entidade.
Próximos passos
A delegação brasileira levará a Washington um estudo detalhado sobre os impactos setoriais, elaborado pela Fundação Getulio Vargas. O documento aponta que a inclusão de apenas cinco novos produtos na lista de exceções poderia salvar US$ 1,2 bilhão em exportações. O governo Lula também articula apoio de parlamentares americanos simpáticos ao Brasil, como o senador Bernie Sanders, para pressionar a Casa Branca. A expectativa é de que uma resposta preliminar seja obtida ainda em julho.



