Em 1938, durante a Copa do Mundo na França, Gilberto Freyre escreveu no Diário de Pernambuco sobre o "foot-ball mulato", celebrando a miscigenação brasileira em campo. A seleção brasileira da época incluía pretos como Leônidas e Domingos, descendentes de portugueses como Tim, e italianos como Romeu Pelicciari. Essa riqueza étnica e pluralidade racial fez do Brasil o País do mundo todo em Copas, com craques como Pelé, Mané, Didi, Rivellino, Dunga, Romário e Ronaldo.
A dança brasileira em campo
Freyre descrevia o futebol brasileiro como "rebelde a excessos de ordenação interna e externa; a excessos de uniformização, de geometrização, de estandartização". O Brasil dançava em campo, com curvas arredondadas e graças de dança, desejando o futebol. No entanto, o colunista Mauro Beting argumenta que a bola brasileira virou para pior. Estrangeiros nos EUA pedem: "parem de copiar a Europa. Joguem ‘brasileiro’". Um amigo italiano diz: "a gente daria a alma para jogar como vocês, e vocês querem jogar como a gente".
A França como novo Brasil
Segundo Beting, a França tornou-se o Brasil deste século. Desde antes da Copa de 1998, a seleção francesa é azul, vermelha, branca e cada vez mais preta. Dos 26 convocados para a melhor seleção da Copa, 23 podiam atuar por outros 21 países pela ascendência que têm. Apenas três dos 26 não nasceram na França. "A França virou o Brasil neste século porque é mestiça", afirma o colunista.
O caminho do hexa
O Brasil precisa reconquistar o mundo sendo mais brasileiro: preto como Pelé, miscigenado como Ronaldo e Garrincha, italiano e alemão como Dunga, brasileiro como Romário. A aquarela do Brasil é a chave para o hexa, mas o mundo aprendeu a não deixar o brasileiro jogar, enquanto o Brasil perdeu a humildade de aprender com sua própria diversidade.



