Extrema direita vence na Colômbia: Abelardo de la Espriella é eleito presidente
Extrema direita vence na Colômbia: Espriella eleito

O candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia neste domingo (21), segundo a apuração preliminar das autoridades eleitorais. Ele derrotou o esquerdista Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro. A contagem oficial começa nesta segunda-feira (22).

Apuração e contexto eleitoral

A apuração colombiana tem duas etapas: o "preconteo", contagem preliminar das atas para projetar resultados, e o "escrutínio", revisão oficial por juízes para corrigir inconsistências. O resultado oficial será proclamado após o escrutínio. A votação transcorreu de forma tranquila, com observadores internacionais da OEA e União Europeia, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Se confirmado, o pleito representa uma guinada à direita após anos de governo de esquerda. Espriella é apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto Cepeda era o candidato de Petro. A eleição tornou-se uma "queda de braço" entre os dois líderes.

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Perfil de Espriella e propostas

Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, apresenta-se como "salvador anti-establishment". Cidadão naturalizado dos EUA, viveu em Miami e é republicano registrado. Venceu o primeiro turno com propostas linha-dura: combate ao crime organizado, corte de programas governamentais e impostos, e revitalização da exploração de petróleo. Admirador de Trump e Nayib Bukele, promete ofensiva militar e construção de 10 megaprisões. "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei", afirmou.

A segurança foi o tema central da campanha. O analista político Eduardo Pizarro disse à Reuters: "A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno." Pesquisas apontam a violência como principal preocupação dos colombianos, à frente da economia.

Cepeda e a reação de Petro

Cepeda apostou em continuar negociações de paz com grupos armados. Na sexta-feira (19), o governo divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros. No entanto, o discurso de Espriella ecoou mais no eleitorado. Cepeda liderava as pesquisas antes do primeiro turno, mas a vitória de Espriella surpreendeu. Petro chegou a contestar o resultado, mas depois reconheceu. Após votar neste domingo, Petro afirmou que respeitará o resultado, mas pediu mobilização para vigiar as atas. Cepeda também disse que respeitará o veredito, mas exigiu "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" da apuração.

Tensões e violência

A contestação aumentou tensões. O Tribunal Eleitoral pediu que todas as partes respeitem o resultado. Autoridades temem protestos e violência. No ano passado, o candidato de direita Miguel Uribe foi assassinado durante um comício.

Onda de direita na América Latina

A vitória de Espriella consolida a onda de governos de direita na região, juntando-se a líderes como Nayib Bukele (El Salvador), Javier Milei (Argentina) e José Antonio Kast (Chile). O resultado isola governos de esquerda e redesenha alianças geopolíticas no continente.

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