Europa ganha e Brasil é maior perdedor na reforma tarifária de Trump
Europa ganha e Brasil é maior perdedor em reforma de Trump

A reforma tarifária promovida pelo governo de Donald Trump beneficia desproporcionalmente a Europa, enquanto o Brasil emerge como o maior perdedor, de acordo com um estudo do Instituto Peterson de Economia Internacional (PIIE). A análise revela que as novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos geram um impacto negativo de US$ 8,5 bilhões para o Brasil, contrastando com ganhos de US$ 12,3 bilhões para a União Europeia.

Impacto assimétrico das tarifas

O estudo do PIIE, intitulado "The Trump Tariff Reform: Winners and Losers", detalha como as alterações nas tarifas americanas afetam diferentes regiões. Enquanto a Europa se beneficia de um aumento nas exportações para os EUA em setores como máquinas e equipamentos, o Brasil sofre com a perda de competitividade em produtos agrícolas e manufaturados. "A reforma tarifária de Trump é um jogo de soma zero, onde os ganhos da Europa são em grande parte às custas de países como o Brasil", afirma Gary Hufbauer, pesquisador sênior do PIIE.

Setores mais afetados no Brasil

Os setores brasileiros mais atingidos incluem o agronegócio, especialmente a soja e a carne bovina, que enfrentam tarifas mais altas e perda de mercado para concorrentes europeus. A indústria siderúrgica também é prejudicada, com uma queda estimada de 15% nas exportações para os EUA. Além disso, o Brasil perde espaço no mercado americano de etanol, onde a Europa ganha vantagem com tarifas reduzidas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reações do governo brasileiro

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil manifestou preocupação com os resultados do estudo. Em nota, o Itamaraty afirmou que "o Brasil buscará mecanismos de compensação e negociação com os EUA para mitigar os efeitos negativos da reforma tarifária". A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também criticou a medida, destacando que "os produtores brasileiros estão sendo injustamente penalizados".

Contexto da reforma tarifária

A reforma tarifária de Trump, anunciada em 2025, visa reduzir o déficit comercial americano e proteger indústrias domésticas. No entanto, o estudo do PIIE sugere que os efeitos são concentrados, beneficiando aliados próximos como a Europa e prejudicando parceiros comerciais como o Brasil. A reforma inclui tarifas médias de 25% sobre produtos agrícolas e 15% sobre manufaturados, com exceções para países que firmaram acordos bilaterais.

Perspectivas futuras

Especialistas apontam que o Brasil pode buscar alternativas, como aprofundar acordos com a China e o Mercosul, para compensar as perdas. No entanto, a curto prazo, o impacto negativo já é sentido. "O Brasil precisa diversificar seus mercados de exportação para reduzir a dependência dos EUA", recomenda Hufbauer. Enquanto isso, a Europa celebra os ganhos, mas enfrenta críticas internas sobre a dependência do mercado americano.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar