Em uma conferência de ministros da Defesa realizada em Lima, no Peru, os Estados Unidos instaram os países da América Latina a elevarem seus gastos com Defesa para até 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), citando a necessidade de combater o crime organizado e o narcotráfico. A declaração foi feita pelo subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby, que invocou a chamada 'Doutrina Monroe' como base para a política de segurança regional.
Gastos atuais muito abaixo do proposto
Colby destacou que muitos países da região destinam menos de 1% do PIB para a Defesa, um percentual considerado insuficiente diante das ameaças transnacionais. 'Alguns países gastam menos de 1% do PIB, o que é muito baixo para enfrentar os desafios atuais', afirmou o subsecretário. A proposta americana sugere um aumento significativo, alinhando os investimentos militares latino-americanos aos padrões da OTAN, que recomenda 2% do PIB, mas indo além, para 3,5%.
Foco no combate ao narcotráfico
O representante de Washington enfatizou que o aumento dos gastos deve ter como prioridade o combate ao crime organizado, especialmente o narcotráfico, que desestabiliza a região. 'A segurança regional depende de uma ação coordenada e de investimentos robustos', disse Colby. A conferência em Lima reuniu ministros da Defesa de diversos países latino-americanos, que discutiram estratégias de cooperação militar.
Reações e desafios
A proposta americana gerou debates entre os participantes. Enquanto alguns países, como Colômbia e Peru, já possuem gastos militares mais elevados, outros, como Argentina e México, enfrentam restrições orçamentárias que dificultam o aumento. Especialistas apontam que a meta de 3,5% do PIB é ambiciosa e pode encontrar resistência em governos que priorizam investimentos sociais. A 'Doutrina Monroe', citada por Colby, refere-se à histórica política americana de oposição à intervenção europeia nas Américas, mas foi reinterpretada no contexto atual como um chamado à responsabilidade regional.



