Em uma análise contundente sobre a política tarifária dos Estados Unidos, o ex-diretor do Banco Mundial Otaviano Canuto afirmou que os EUA 'abriram guerra com todos os seus clientes'. A declaração foi feita em entrevista exclusiva, na qual Canuto avaliou que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump jogam o Brasil nos braços da China, que se destaca como o grande vencedor do ponto de vista diplomático.
Impacto das tarifas sobre o Brasil
Segundo Canuto, as tarifas americanas não atingem seus objetivos econômicos e, ao contrário, criam um ambiente de incerteza que prejudica todos os envolvidos. Para o Brasil, a consequência mais imediata é o fortalecimento dos laços comerciais com a China. 'A China sai ganhando diplomaticamente, pois se apresenta como um parceiro estável em meio à turbulência criada pelos EUA', explicou.
O ex-diretor destacou que os minerais críticos brasileiros, como nióbio e lítio, são ativos estratégicos que podem ser usados como moeda de troca em negociações. 'O Brasil tem espaço para negociar, especialmente nessa área, que é vital para a transição energética global', afirmou.
Efeitos limitados das tarifas
Canuto ressaltou que as tarifas são instrumentos políticos com impacto limitado na redução do déficit comercial dos EUA. 'A história mostra que tarifas não corrigem desequilíbrios comerciais; elas apenas desviam fluxos de comércio e criam tensões', disse. Ele acrescentou que a estratégia de Trump está isolando os EUA diplomaticamente, enquanto a China aproveita para expandir sua influência.
Negociação estratégica
Apesar do cenário desafiador, Canuto vê oportunidades para o Brasil. 'Precisamos de uma estratégia de negociação inteligente, que aproveite nossas vantagens comparativas e a necessidade global por recursos naturais', sugeriu. Ele defendeu que o Brasil busque acordos bilaterais com a China e outros parceiros, sem romper completamente com os EUA.
A análise de Canuto chega em um momento de crescente tensão comercial global, com as tarifas americanas afetando não apenas o Brasil, mas também aliados tradicionais como União Europeia e Japão. Para o ex-diretor do Banco Mundial, a saída é o diálogo e a diversificação de parcerias.



