O PL oficializa neste sábado (25) a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República sem definir quem ocupará a vaga de vice. A decisão reflete o impasse nas negociações com partidos de centro e evidencia uma dificuldade da campanha em ampliar sua base de apoio às vésperas do início oficial da disputa.
Estratégia de manter chapa em aberto até 5 de agosto
A estratégia da legenda é manter a composição da chapa em aberto até 5 de agosto, prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para o registro das alianças. A expectativa é que as conversas com Republicanos, União Brasil-PP e Podemos avancem nos próximos dias, embora, até o momento, apenas o Republicanos tenha mantido canais de negociação.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o partido seguirá buscando uma composição. “Até o dia 5 de agosto temos interesse em ter o apoio da federação (União-PP). O tempo de televisão permite que a campanha possa mostrar o candidato e responder às críticas. Estamos construindo também com Republicanos e Podemos”, disse.
Indefinição em momento delicado da pré-campanha
A indefinição ocorre em um momento delicado da pré-campanha. Além de enfrentar dificuldades para atrair aliados, Flávio chega à convenção após meses marcados por desgastes políticos, entre eles a crise pública com Michelle Bolsonaro e os efeitos da divulgação de diálogos com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que repercutiram na corrida presidencial e coincidiram com uma piora em pesquisas de intenção de voto.
Centrão ainda resiste
O principal objetivo da campanha é repetir uma fórmula que deu resultado para Jair Bolsonaro em 2022, quando partidos do Centrão aderiram ao projeto presidencial. Até agora, porém, esse movimento não se repetiu.
A federação União Brasil-PP tem sinalizado neutralidade na eleição presidencial, reduzindo as chances de uma aliança nacional. O Republicanos, por sua vez, condiciona qualquer acordo à resolução de disputas eleitorais em estados considerados estratégicos. Até o momento, apenas o Espírito Santo chegou a um entendimento entre os partidos, com apoio ao ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini.
Na prática, a dificuldade para fechar uma composição revela que, embora o PL continue sendo a principal força da oposição, a construção de uma coalizão mais ampla ainda depende de concessões regionais e da distribuição de apoios locais, uma negociação que permanece em aberto.
Daniella Marques segue no radar
Entre os nomes discutidos para a vice-presidência, a economista Daniella Marques permanece como a principal alternativa. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos neste ano, ela passou a integrar a equipe que formula propostas econômicas e ações voltadas ao eleitorado feminino.
Sua indicação, entretanto, depende diretamente de um acordo entre PL e Republicanos. Além disso, enfrenta resistência dentro do próprio partido. Na semana passada, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Daniella reúne credenciais técnicas, mas avaliou que sua presença na chapa não acrescentaria votos.
Outra tentativa de destravar a negociação terminou sem sucesso. Na terça-feira, Valdemar Costa Neto voltou a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ocupar a vice, mas recebeu uma nova negativa. A ex-ministra da Agricultura reafirmou que pretende concentrar esforços na disputa pela presidência do Senado em 2027.
Com isso, perdeu força também a possibilidade de uma composição com nomes do PP, entre eles as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), cogitadas em momentos anteriores.
Vaga aberta amplia margem de negociação
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro buscou contato com dirigentes das siglas que considera prioritárias para a formação da chapa. Um encontro com o presidente do PP, Ciro Nogueira, foi confirmado para esta semana em Brasília.
Já conversas com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e Marcos Pereira, comandante do Republicanos, ainda não têm data marcada. Ambos não participaram da convenção estadual da federação União Progressista realizada em São Paulo, onde eram aguardados pela campanha.
A manutenção da vaga de vice em aberto preserva espaço para novas negociações, mas também expõe um contraste em relação a outras candidaturas que já chegam à convenção com alianças consolidadas. Para o PL, a definição do nome dependerá menos da escolha de um perfil e mais da capacidade de transformar a vice-presidência em instrumento para ampliar a coalizão antes do encerramento do prazo eleitoral.



