O candidato de direita Abelardo de la Espriella venceu as eleições presidenciais na Colômbia, de acordo com a apuração preliminar divulgada nesta quarta-feira (24). O adversário de esquerda, Iván Cepeda, concedeu a derrota, mas anunciou que seu partido pedirá a impugnação de 33 mil mesas eleitorais, alegando irregularidades.
Resultado apertado e processo de escrutínio
O Registrador Nacional da Colômbia informou que a contagem final dos votos divergiu em apenas 0,003% das cédulas em relação à apuração inicial, indicando que não há diferença significativa. Na pré-contagem, Espriella liderava com 49,6% dos votos, contra 48,4% de Cepeda, uma vantagem inferior a 1%. O número de votos apurados foi de 12.959.542 para Espriella e 12.708.712 para Cepeda.
O escrutínio, realizado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) com a presença de representantes dos partidos e do Ministério Público, verificou inconsistências e pedidos de recontagem. O CNE afirmou que o processo seria concluído entre terça e quinta-feira (25).
Impugnação de mesas eleitorais
Iván Cepeda declarou que juristas observadores encontraram erros em 33 mil mesas eleitorais, cada uma com até 300 votos. "Nossos advogados e advogadas estão procedendo para impugnar 33 mil mesas em todo o país", afirmou Cepeda. A impugnação ocorre quando há suspeitas de erros técnicos ou irregularidades, e uma comissão da Justiça eleitoral analisa o pedido e pode recontar os votos.
Cepeda disse que reconhece a apuração inicial, mas aguarda a contagem total e o processo de impugnação. O presidente Gustavo Petro também pediu calma: "Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente."
Vitória de Espriella e reações
Espriella celebrou a vitória vestindo a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos militares com os EUA para combater o crime organizado. "Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante", disse. O presidente argentino Javier Milei comemorou: "O leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança."
A vitória de Espriella representa uma guinada após o governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia. Espriella, conhecido como "El Tigre", fez campanha com discurso antissistema e propostas linha-dura na segurança, inspiradas em Nayib Bukele. Ele prometeu ofensiva militar contra grupos armados, construção de megapresídios e retirada da Colômbia de organismos internacionais como ONU e OEA.
Perfil de Abelardo de la Espriella
Advogado e empresário sem experiência política, Espriella é cidadão naturalizado dos EUA e filiado ao Partido Republicano. Ele promete reduzir o tamanho do Estado em 40% e cortar impostos corporativos. Em entrevistas, gerou polêmica ao gabar-se do tamanho do órgão genital e por ter defendido Alex Saab, empresário acusado de ser laranja de Nicolás Maduro.
Com a vitória, Espriella se junta a outros líderes de direita eleitos na América Latina, como Jorge Kast no Chile e Rodrigo Paz na Bolívia.



