O dançarino Erick Swolkin, de 35 anos, cresceu na zona rural de Joinville, em Santa Catarina, onde andava a cavalo, corria no pasto e brincava com os amigos na rua. Ele sequer conhecia o balé clássico. Aos 9 anos, uma visita do Teatro Bolshoi à sua escola rural mudou completamente o rumo de sua vida. O menino que "tocava boi" se tornou artista e, por uma década, integrou o Bolshoi na Rússia, uma das companhias de dança mais respeitadas do mundo.
Encontro inesperado com a dança
Erick nasceu em São Paulo, mas mudou-se para Joinville na infância, após o pai aceitar uma proposta de emprego em Santa Catarina. A família deixou a cidade grande e se estabeleceu em Rio Bonito, no distrito de Pirabeiraba, conhecido pelo turismo rural, na zona norte de Joinville. "Eu nunca tive contato com a dança, ou até mesmo com a cultura de dança. E não só balé. Eu andava a cavalo, vivia correndo no pasto, a gente tocava boi, brincando com meus amigos. A ideia daquela região, na época, era ir para a escola agrícola, e não se tornar bailarino", relembra.
O Bolshoi realizou uma apresentação motivacional em todas as escolas municipais de Joinville, incluindo a de Erick. Ele decidiu fazer o teste. "Quando comentaram se eu ia fazer ou não, todo mundo ficou: 'ah, o Erick?' Porque eu era tão da rua. Nunca fui uma pessoa que alguém imaginaria fazendo balé", conta. O apoio da família foi fundamental. "Eu lembro que fiz o teste, passei no primeiro teste e falei: 'mãe, vou fazer balé'. Minha mãe disse: 'fala com teu pai'. Meu pai falou: 'Meu filho, faz'. Meu avô sempre gostou muito de dança — ele era da Polônia, vieram fugidos —, ele sempre gostou de valsa. Ele falou: 'Não, faz balé, pode fazer'", recorda. "Meu pai me apoiou e, depois, minha mãe me apoiou. Quando ela conheceu o projeto da escola, ficou encantada".
Formação e carreira internacional
Erick ingressou na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil em Joinville, única filial da famosa companhia fora da Rússia, em 2001. A certeza de que seguiria a carreira profissional demorou anos para surgir. Ela veio apenas no quinto ano de curso, quando assistiu ao balé Spartacus. Após se formar, entrou para a Cia Jovem Bolshoi Brasil, onde permaneceu por três anos.
Em 2011, participou de uma audição para bailarinos estrangeiros no Teatro Bolshoi, na Rússia. Passou e, de 2012 a 2022, foi bailarino do corpo de baile da companhia. Hoje atua no Staatsballett, principal companhia de Berlim, na Alemanha. "A escola me abriu uma janela para o mundo. Eu estudo várias coisas e nada, se não fosse a dança e a escola, poderia ter aberto essa janela. Hoje conheço o mundo inteiro graças à dança. Sou uma pessoa que já poderia ter parado de trabalhar graças à dança, mas amo tanto o que faço que continuo explorando cada vez mais", afirma Erick.
Legado da Escola Bolshoi no Brasil
Ao longo de 26 anos, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil já formou mais de 500 bailarinos, dos quais 73% atuam profissionalmente na área da dança, espalhados por 29 países e cinco continentes. Pelo décimo ano consecutivo, a escola promoveu o Encontro de Egressos, uma celebração que se tornou tradição em julho, durante o Festival de Dança de Joinville, maior evento de dança do mundo. O encontro ocorreu em 23 de julho e reuniu mais de 120 egressos na Escola Bolshoi, entre bailarinos, solistas, artistas de companhias internacionais, professores, coreógrafos, profissionais da dança contemporânea e pessoas que seguiram outros caminhos profissionais.
Erick Swolkin é um dos 16 mil artistas inscritos na 43ª edição do Festival de Dança de Joinville, que movimenta a cidade até 1º de agosto. Sua trajetória exemplifica como uma oportunidade inesperada pode transformar uma vida e abrir portas para o mundo.



