Em Havana, um triciclo elétrico movido a energia solar transporta passageiros com a ajuda de baterias de lítio. A cena, registrada em 30 de junho de 2026 pelo fotógrafo Lisette Poole González, para o The New York Times, tornou-se um retrato da nova rotina cubana.
A pressão do governo de Donald Trump levou Cuba à pior crise energética de sua história. O bloqueio americano ao petróleo, reforçado nos últimos anos, cortou o principal insumo para as termelétricas da ilha. Os apagões se tornaram frequentes em Havana e no interior, afetando residências, hospitais e fábricas.
Crise energética sem precedentes
Sem acesso a combustíveis importados, Cuba precisou buscar alternativas dentro de casa. A resposta veio das energias renováveis e de veículos elétricos caseiros, que ganharam as ruas como solução imediata para manter o país em movimento.
Segundo o The New York Times, a estratégia americana de asfixiar economicamente a ilha intensificou-se nos últimos anos, com sanções a navios e empresas que negociam petróleo com Cuba. O resultado foi a paralisação parcial de usinas e a racionalização de energia em todo o país.
Baterias, painéis solares e triciclos elétricos
As baterias de lítio armazenam a energia captada por painéis solares instalados em telhados e até em estruturas móveis anexadas aos veículos. Esses triciclos viraram transporte público de emergência, substituindo ônibus que ficaram sem combustível.
Painéis solares também são usados para alimentar residências, pequenos comércios e postos de saúde. A tecnologia, antes considerada cara e escassa, tornou-se acessível graças à chegada de kits de energia limpa, muitos importados de aliados como China e Rússia, embora o embargo dificulte a logística.
Em bairros de Havana, moradores organizam esquemas coletivos para carregar celulares e eletrodomésticos essenciais durante os breves períodos em que a corrente elétrica volta. A população cubana aprendeu a conviver com as interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Impacto na economia e no dia a dia
Os apagões não afetam apenas o conforto doméstico. A produção industrial despencou, e a agricultura sofre com a falta de energia para irrigação e armazenagem. Muitas empresas reduziram o horário de funcionamento, enquanto escolas adaptaram as aulas para o período diurno, aproveitando a luz natural.
A escassez de gasolina também reduziu drasticamente o número de carros nas ruas. Os triciclos elétricos aparecem como uma alternativa barata e sustentável, ainda que com velocidade limitada e autonomia curta, dependendo da luz solar disponível.
O governo cubano incentiva a instalação de painéis solares em prédios públicos e privados, mas a falta de peças de reposição e a manutenção limitada seguem sendo desafios. Especialistas apontam que a crise energética é o maior teste para a economia cubana desde o colapso da União Soviética.
Resistência e adaptação
A imagem dos triciclos solares circulando por Havana se tornou um símbolo da resistência cubana. Enquanto o bloqueio americano persiste, a ilha busca formas de contornar a falta de petróleo com criatividade e engenharia local.
Para os cubanos, cada painel instalado e cada bateria carregada representam um passo a mais para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis que o embargo tenta negar. A crise, por mais severa, também acelerou uma transição energética que poderia levar décadas.
Com informações do The New York Times.



