Especialistas apontam que a corrupção e a crise econômica na Venezuela podem ter agravado o impacto dos recentes terremotos, que deixaram 589 mortos e 4,3 mil feridos. A falta de fiscalização da legislação e a manutenção inadequada de edificações são fatores que contribuíram para a fragilidade das estruturas diante dos abalos sísmicos.
Falta de fiscalização e manutenção precária
De acordo com especialistas em engenharia e gestão de desastres, muitos edifícios venezuelanos foram construídos antes da implementação das normas sísmicas vigentes e não passaram por reformas ou manutenção adequada ao longo dos anos. A crise econômica prolongada reduziu a capacidade do governo de realizar inspeções e de garantir que as construções atendessem aos padrões de segurança.
“A corrupção generalizada no setor de construção civil permitiu que empreiteiras utilizassem materiais de baixa qualidade e ignorassem requisitos técnicos, resultando em estruturas vulneráveis”, afirmou um engenheiro civil que preferiu não se identificar.
Impacto humano e econômico
Os terremotos atingiram principalmente áreas densamente povoadas, como Catia La Mar, no estado de La Guaira, onde dezenas de prédios desabaram. Além das mortes e feridos, milhares de pessoas ficaram desabrigadas. A crise econômica pré-existente dificulta a resposta humanitária e a reconstrução, com escassez de materiais e equipamentos.
“A tragédia poderia ter sido menor se houvesse investimento em prevenção e manutenção. A situação atual é um reflexo direto da má gestão e da falta de prioridade com a segurança da população”, completou o especialista.
Contexto sísmico e político
A Venezuela está localizada em uma região de atividade sísmica moderada, mas os terremotos recentes, de magnitudes entre 5,5 e 6,8, causaram danos desproporcionais devido à vulnerabilidade das construções. Especialistas alertam que, sem mudanças na fiscalização e na alocação de recursos, futuros eventos podem resultar em tragédias ainda maiores.



