Confiança em influenciadores com deficiência supera 98%, aponta pesquisa
Confiança em influenciadores com deficiência supera 98%

Uma pesquisa inédita realizada pela agência Tambor.biz, intitulada 'O Poder da Influência de Criadores com Deficiência', revela que 98,2% dos consumidores confiam nas recomendações feitas por influenciadores com deficiência. O estudo, conduzido entre outubro e novembro de 2025 com 453 entrevistados em todo o Brasil, também aponta que 98,7% consideram essas recomendações autênticas. No entanto, 92% das pessoas com deficiência não se sentem representadas pela publicidade, e 52,7% nunca participaram de uma campanha paga.

Autenticidade e confiança acima da média

Para Vitor Bastos, fundador e líder da Tambor.biz, o alto nível de confiança não decorre de uma idealização das pessoas com deficiência, mas sim da relação próxima que esses criadores constroem com suas comunidades. "Não acredito que a pessoa com deficiência funcione como esse carimbo de honestidade, porque colocaria as pessoas com deficiência nesse lugar muito idealizado. São pessoas como qualquer outra, com defeitos, opiniões e qualidades", afirma Bastos em entrevista exclusiva ao blog Vencer Limites (Estadão). Segundo ele, criadores com deficiência compartilham experiências reais e raramente promovem produtos arriscados, zelando por sua credibilidade.

Dos entrevistados, apenas 19% são pessoas com deficiência, enquanto 51% convivem com alguém com deficiência. Isso sugere que a confiança não se baseia apenas na identidade, mas na autoridade construída ao longo do tempo. Bastos destaca que comunidades menores tendem a gerar maior confiança, e que poucos criadores com deficiência alcançam grande escala, com exceção de figuras como a Pequena Lô.

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Barreiras estruturais e capacitismo no mercado

Bastos aponta que a falta de representatividade na publicidade reflete um problema estrutural: "Poucas pessoas com deficiência ocupam espaços de decisão em agências de publicidade ou nos departamentos de marketing das empresas. Se essas pessoas não estão presentes nos briefings e no planejamento, a tendência é que o resultado final também seja excludente". Ele acrescenta que o capacitismo histórico consolidou a percepção equivocada de que pessoas com deficiência não geram resultados comerciais, mas isso mudou: hoje, muitos profissionais com deficiência estão ativos no mercado de trabalho.

O potencial de consumo desse grupo é expressivo: o Brasil tem quase 18 milhões de pessoas com deficiência, com uma renda média que movimenta mais de 240 bilhões de reais por ano. Apesar disso, as marcas ainda subinvestem nesse público. "Estamos diante de um ciclo vicioso que precisa ser transformado em um ciclo virtuoso: se pessoas com deficiência ocuparem espaços no mercado de trabalho e na mídia, elas serão mais vistas e valorizadas", defende Bastos.

Além do nicho: criadores com deficiência em qualquer setor

Bastos critica a tendência de limitar a participação de pessoas com deficiência a campanhas de acessibilidade. "O mercado ainda subutiliza o potencial desses criadores em outros territórios. Pessoas com deficiência são consumidores ativos em moda, beleza, turismo, tecnologia, alimentação e entretenimento", afirma. Ele cita o exemplo da criadora Ana Clara, que com 63 mil seguidores realizou uma campanha para o McDonald's que alcançou mais de 600 mil pessoas, demonstrando a força da comunidade.

A pesquisa de 2024 da Tambor.biz já indicava que criadores com deficiência estão ocupando espaços em campanhas de lifestyle, beleza e moda. Bastos defende que o critério de contratação deve ser a autoridade de conteúdo, não a deficiência. "Devemos avaliar o criador pela sua autoridade de conteúdo, como fazemos com qualquer outro influenciador", conclui.

Diversity washing e tokenismo ainda frequentes

Bastos reconhece que práticas de diversity washing e tokenismo são comuns. Dados da pesquisa mostram que 71% das contratações de criadores com deficiência são pontuais, e apenas 7% possuem contratos de longo prazo. "Muitas empresas enxergam a diversidade apenas para uma campanha específica, não como parte da estratégia permanente da marca", critica. Além disso, 88% dos criadores com deficiência não consideram o mercado publicitário inclusivo.

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Para reverter esse cenário, Bastos sugere investir em relações de longo prazo. "A pesquisa mostra que a conversão acontece quando existe repetição e uso contínuo do produto pelo criador. Precisamos construir relações de confiança de longo prazo, porque o marketing de influência produz melhores resultados dessa maneira", finaliza.