O governo da Bolívia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram nesta quarta-feira a conclusão de um acordo para um programa de financiamento no valor de US$ 1,9 bilhão. O programa, que será implementado ao longo de três anos, tem como objetivo principal estabilizar a economia boliviana, que enfrenta pressões inflacionárias e déficit fiscal crescente.
Detalhes do acordo
O pacote de financiamento será desembolsado em parcelas trimestrais, sujeitas a revisões periódicas do cumprimento de metas macroeconômicas e reformas estruturais. Entre as condições acordadas estão a redução gradual do déficit fiscal, o fortalecimento das reservas internacionais e a implementação de medidas para aumentar a transparência fiscal.
De acordo com comunicado conjunto divulgado pelo Ministério da Economia boliviano e pela missão do FMI em La Paz, o programa também prevê assistência técnica para modernizar a administração tributária e melhorar a eficiência do gasto público. “Este acordo representa um passo crucial para restaurar a confiança dos investidores e garantir a sustentabilidade fiscal a longo prazo”, afirmou o ministro da Economia, Marcelo Montenegro.
Contexto econômico
A Bolívia enfrenta desafios econômicos significativos, incluindo uma inflação anual que ultrapassou 8% em junho e um déficit fiscal estimado em 9% do PIB. A escassez de dólares e a queda nas exportações de gás natural, principal produto de exportação do país, agravaram a crise cambial. O acordo com o FMI é visto como essencial para evitar um default da dívida externa e estabilizar o mercado cambial.
O programa de financiamento substitui um acordo anterior de US$ 1,2 bilhão, que expirou em março sem cumprimento integral das metas. Desta vez, o FMI exigiu compromissos mais rígidos, incluindo a eliminação gradual de subsídios aos combustíveis, que representam um custo fiscal de aproximadamente US$ 1,5 bilhão ao ano.
Reações e perspectivas
Analistas econômicos receberam o acordo com cautela. “O sucesso do programa dependerá da capacidade do governo de implementar reformas impopulares em um ano eleitoral”, disse o economista Luis Carlos Jemio, da Universidade Católica Boliviana. A oposição política já criticou as condições impostas, acusando o governo de comprometer a soberania nacional.
O FMI, por sua vez, destacou que as reformas são necessárias para retomar o crescimento econômico, que deve ficar em torno de 1,5% em 2026, segundo projeções da instituição. O primeiro desembolso, de US$ 300 milhões, está previsto para agosto, assim que o conselho executivo do FMI aprovar formalmente o acordo.
Impacto regional
O acordo ocorre em um momento em que vários países da América Latina buscam apoio financeiro internacional para lidar com pressões fiscais e cambiais. A Argentina, por exemplo, negocia um novo programa com o FMI, enquanto o Equador já firmou um acordo de US$ 4,5 bilhões em maio. A Bolívia espera que o financiamento ajude a reduzir a volatilidade do câmbio e a atrair investimentos estrangeiros diretos, especialmente no setor de lítio, onde o país possui grandes reservas.



