Setor de máquinas projeta queda de até 12% nas exportações para os EUA
Máquinas: queda de até 12% nas exportações para EUA

O setor brasileiro de máquinas e equipamentos enfrenta um cenário desafiador para 2026, com projeção de queda de até 12% nas exportações para os Estados Unidos. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que atribui o recuo à desaceleração da economia americana e ao avanço da concorrência chinesa.

Causas da retração

Segundo a Abimaq, a economia dos Estados Unidos deve crescer menos de 2% em 2026, após anos de estímulos fiscais e monetários. Isso reduz a demanda por bens de capital, principalmente máquinas industriais e agrícolas. Além disso, a China tem aumentado sua participação no mercado americano, oferecendo produtos com preços mais competitivos.

“A combinação de juros altos nos EUA e a valorização do real frente ao dólar torna nossos produtos menos atrativos”, afirma José Velloso, presidente-executivo da Abimaq. “Esperamos que as exportações caiam entre 8% e 12% neste ano.”

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Impacto no setor

A queda nas exportações para os EUA representa um golpe significativo para a indústria nacional, já que o país é o segundo maior comprador de máquinas brasileiras, atrás apenas da Argentina. Em 2025, as vendas para os americanos somaram US$ 2,5 bilhões, o equivalente a 15% do total exportado pelo setor.

Com a retração, a Abimaq revisou para baixo sua projeção de faturamento para 2026, estimando uma queda de 5% em relação ao ano anterior. O setor também enfrenta desafios internos, como a alta carga tributária e a falta de financiamento de longo prazo.

Medidas de mitigação

A associação defende a adoção de políticas públicas para minimizar os efeitos da retração. Entre as propostas estão a ampliação de linhas de crédito do BNDES para exportações, a redução de impostos sobre investimentos e a negociação de novos acordos comerciais com outros países.

“Precisamos diversificar nossos mercados. A Ásia e a África têm potencial, mas exigem esforço diplomático e logístico”, destaca Velloso. “Também é urgente melhorar a competitividade da indústria brasileira, com reformas estruturais.”

Expectativas para 2027

Apesar do cenário adverso, a Abimaq projeta uma recuperação gradual a partir de 2027, impulsionada pela modernização do parque industrial americano e pela possível queda dos juros nos EUA. No entanto, a recuperação dependerá de fatores externos e internos, incluindo a estabilidade política e econômica do Brasil.

O setor de máquinas emprega diretamente cerca de 300 mil pessoas no Brasil e responde por 7% do PIB industrial. A queda nas exportações para os EUA pode resultar em demissões e redução de investimentos, segundo a entidade.

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