As declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, durante a convenção do Partido Liberal (PL) no sábado, provocaram forte reação do governo brasileiro e repercutiram na imprensa internacional nesta segunda-feira.
Repercussão na imprensa internacional
A agência Reuters informou que o governo brasileiro tratou as falas como uma “afronta direta” e destacou que Milei não buscou contato com o governo brasileiro em nenhuma de suas viagens ao país, já que a relação entre os dois é “praticamente inexistente”. A AFP citou uma fonte diplomática brasileira segundo a qual Milei ofendeu os Poderes da República, o povo brasileiro e a democracia do país.
Na Argentina, o jornal La Nación informou que o governo de Milei não pretende pedir desculpas a Lula. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, o silêncio seria uma forma de esfriar a crise. Fontes diplomáticas argentinas avaliam que o desgaste não deve se aprofundar, diante da proximidade da eleição brasileira.
Resposta diplomática brasileira
O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas, em um gesto diplomático de forte descontentamento. O diplomata desembarcou em Brasília nesta segunda-feira e deve se reunir com o chanceler Mauro Vieira até quarta-feira para discutir a crise entre os dois países. O governo brasileiro também avalia novas medidas contra a Argentina nas próximas 48 horas, segundo o Infobae.
O site especializado MercoPress chamou a medida de a resposta diplomática “mais dura entre os dois países em anos” e lembrou que Brasil e Argentina são os dois maiores sócios do Mercosul e parceiros comerciais entre si.
Termos usados por Milei
O Infobae listou os termos usados por Milei contra Lula – “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista” – e informou que o Itamaraty decide, em reunião nesta segunda, se toma novas medidas contra a Argentina. O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações como “graves” e “inaceitáveis”, e afirmou que o governo buscará esclarecimentos pela via diplomática.
Fontes da Casa Rosada disseram ao La Nación que a Argentina não pretende recuar após os ataques. A crise se intensifica em um momento de grande interdependência econômica entre os dois países, que juntos formam o núcleo do Mercosul.



