Na Colômbia, 99 guerrilheiros entregam armas em processo de paz
99 guerrilheiros entregam armas na Colômbia em processo de paz

Cerca de uma centena de guerrilheiros entregou suas armas nesta quinta-feira (18) em uma região de selva no sul da Colômbia, no âmbito de uma negociação com o presidente Gustavo Petro, que faz seus últimos esforços para salvar sua questionada política de paz, constatou a AFP.

Entrega de armas em Putumayo

Vestidos com uniformes camuflados, 99 rebeldes da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) deixaram seus fuzis em um grande contêiner com a inscrição 'Aposta na vida, cumpro a paz', em meio à selva do departamento de Putumayo, no sul do país.

O ato também representa o maior avanço da política de 'paz total' de Petro, o primeiro governante de esquerda da Colômbia, que tentou sem sucesso negociar com todos os grupos armados do país.

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Expectativa e futuro

'Estou muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família', disse à AFP um rebelde sob condição de anonimato.

Os rebeldes permanecerão durante dez meses nesse terreno, onde anteriormente havia plantações de coca, aguardando avanços sobre seu desarmamento definitivo e sua situação jurídica.

A entrega de armas é incomum nesse tipo de negociação na Colômbia, país marcado por seis décadas de conflito armado. As Farc fizeram isso apenas um ano após a assinatura do acordo de paz.

Contexto eleitoral

No domingo, os colombianos elegerão o presidente entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro que promete dar continuidade à iniciativa de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, defensor do fim de qualquer tipo de aproximação com as organizações ilegais. Petro entregará o poder em 7 de agosto.

Os membros do CNEB, dissidentes do acordo de 2016 que desarmou as Farc, são o único grupo guerrilheiro que avança sem contratempos nas negociações de paz com Petro.

É 'uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra', afirmou Armando Novoa, chefe da delegação de paz do governo junto a essa guerrilha.

Detalhes do processo

Em Putumayo, os guerrilheiros receberam kits de higiene e livros antes de ingressarem na zona onde permanecerão em casas equipadas com painéis solares, sob a proteção da unidade estatal de escoltas. As forças militares os transportaram de helicóptero desde territórios remotos até uma região do Vale do Guamuez.

O próximo presidente poderá decidir encerrar a mesa de negociações, o que faria com que eles perdessem benefícios como a suspensão dos mandados de prisão.

Declarações e perspectivas

'Sinto-me orgulhoso de contribuir para a paz', disse o guerrilheiro conhecido como Ferney, carregando sua mochila nas costas. 'Meu desejo é me preparar em alguma profissão para nunca mais voltar a praticar nada ilícito nesta vida', acrescentou.

Petro tem se recusado a extraditar comandantes guerrilheiros comprometidos com os processos de paz na Colômbia, o que tem gerado descontentamento em Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoia abertamente De la Espriella nas eleições, em meio à pior onda de violência da última década.

O governo estima que a CNEB tenha entre 2.000 e 2.500 integrantes. De la Espriella propõe uma política de 'mão de ferro' para enfrentar rebeldes e narcotraficantes no país que mais produz cocaína no mundo. Embora a CNEB domine territórios estratégicos para a produção de drogas na fronteira com o Equador, ela é pequena quando comparada ao Exército de Libertação Nacional (ELN) ou a outras dissidências das Farc, como a liderada por Iván Mordisco, o rebelde mais procurado do país.

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