Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana revela que 47% dos brasileiros acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) influenciou diretamente a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 6 de junho de 2026, com 2.000 entrevistados em todo o Brasil, e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Contexto da decisão de Trump
A classificação das duas facções como terroristas ocorreu apenas dois dias após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde se encontrou com Trump. O pré-candidato do PL à Presidência da República esteve em Washington para discutir pautas de segurança e cooperação bilateral. A medida americana gerou controvérsia no governo brasileiro, que não foi consultado previamente e questionou a legalidade e as consequências da decisão.
De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados afirmam que acreditam na influência de Flávio sobre Trump, enquanto 28% não acreditam e 25% não souberam ou preferiram não opinar. O índice é maior entre eleitores com ensino superior (54%) e entre moradores da região Sudeste (51%).
Repercussões diplomáticas e financeiras
A inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos EUA pode ter impactos significativos. As facções passam a ter seus bens bloqueados em território americano e qualquer pessoa ou empresa que mantenha relações financeiras com elas pode ser processada. Além disso, a medida pode prejudicar acordos de cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, manifestou descontentamento com a decisão unilateral. O Itamaraty argumenta que a classificação de grupos criminosos como terroristas deve ser feita em conjunto, respeitando a soberania nacional. Especialistas em direito internacional também apontam que a medida pode gerar atritos diplomáticos e complicar a atuação de autoridades brasileiras.
Impacto na campanha de Flávio Bolsonaro
A pesquisa também avaliou o possível impacto eleitoral. Entre os entrevistados que acreditam na influência de Flávio, 62% afirmam que a decisão de Trump melhora a imagem do senador, enquanto 38% dizem que piora. Para analistas políticos, a associação com a medida americana pode ser usada tanto como trunfo quanto como alvo de críticas na corrida presidencial.
Flávio Bolsonaro, que lidera as intenções de voto para 2026, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a pesquisa. Sua assessoria informou que o senador mantém contato frequente com autoridades americanas e que a classificação das facções é um passo importante no combate ao crime organizado.
Próximos passos
O governo brasileiro estuda recorrer à Organização dos Estados Americanos (OEA) para questionar a decisão de Trump. Enquanto isso, o Congresso Nacional deve convocar audiências públicas para discutir os impactos da medida. A pesquisa Genial/Quaest mostra que a opinião pública está dividida, mas a maioria acredita que Flávio Bolsonaro teve papel central no episódio.



