Poluição atinge toda a extensão do Rio Tietê a partir de Mogi das Cruzes
Poluição atinge todo o Rio Tietê a partir de Mogi das Cruzes

O Rio Tietê começa a perder qualidade da água já em Mogi das Cruzes, segundo relatório da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado nesta quarta-feira (24). Enquanto a nascente, em Salesópolis, recebeu classificação boa, o trecho no município foi considerado ruim e marca o início da deterioração do rio em direção à Grande São Paulo.

Expedição Tietê 2025 percorreu mais de 1,1 mil km

Os dados fazem parte da Expedição Tietê 2025, que avaliou as condições ambientais do rio desde a nascente, em Salesópolis, até a foz, em Itapura. A pesquisa foi realizada entre 9 e 14 de junho de 2025, em parceria com instituições de ensino, e percorreu mais de 1,1 mil quilômetros do rio. Ao todo, foram analisados 14 pontos de coleta. Os pesquisadores avaliaram indicadores como pH, concentração de carbono e nitrogênio, além da presença de fármacos, agrotóxicos, microplásticos e microrganismos.

IQA em Mogi das Cruzes é classificado como ruim

Segundo o relatório, o Índice de Qualidade da Água (IQA) em Mogi das Cruzes foi classificado como ruim. A coleta foi feita no km 62 do Rio Tietê. Segundo o relatório, esse ponto marca o início da piora na qualidade da água conforme o rio se aproxima da Região Metropolitana de São Paulo. Os pesquisadores identificaram aumento significativo na concentração de nitrogênio em comparação aos níveis registrados na nascente. Segundo o estudo, esse resultado indica maior presença de matéria orgânica e compostos nitrogenados, associada principalmente ao lançamento de esgoto doméstico e a efluentes industriais.

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Indicadores comparativos: Salesópolis vs. Mogi das Cruzes

Os indicadores mostram contrastes: em Salesópolis (km 0), o IQA foi ótimo/bom, pH 5,9, cafeína 20,8 ng/L, 2 tipos de agrotóxicos, microplásticos 330 partes/m³ e coliformes 40.000 UFC/100 mL. Em Mogi das Cruzes (km 62), o IQA foi ruim, pH 6,93, cafeína 216 ng/L, 4 tipos de agrotóxicos, microplásticos não encontrados e coliformes 614 mil UFC/100 mL.

Presença de fármacos e agrotóxicos

A análise também identificou 13 tipos de fármacos na água do rio em Mogi das Cruzes, entre eles a cafeína. Segundo os pesquisadores, a substância indica a presença de esgoto doméstico. Além disso, foram encontrados quatro tipos de agrotóxicos. De acordo com a Prefeitura de Mogi das Cruzes, os índices de coleta e tratamento de esgoto na cidade são de 85% e 63%, respectivamente. A administração municipal informou ainda que o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) coleta e trata o esgoto doméstico. Efluentes industriais devem ser tratados pelas próprias indústrias e quem faz a fiscalização é a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O g1 pediu e aguarda informações da Cetesb.

Coliformes e microplásticos

Os dados mostram ainda concentração de 614 mil unidades formadoras de colônia (UFC) de coliformes na água. No ponto analisado em Mogi das Cruzes, não foram encontradas partículas de microplásticos. O relatório conclui que a poluição aumenta na Região Metropolitana de São Paulo. No entanto, contaminantes já são encontrados em diferentes trechos do rio por causa da urbanização e das atividades agropecuárias ao longo da bacia. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a piora da qualidade da água está diretamente ligada à ocupação do solo e aos padrões de consumo da população.

Nascente em Salesópolis ainda preservada, mas com sinais de interferência

Na nascente do Rio Tietê, em Salesópolis, o Índice de Qualidade da Água (IQA) foi classificado como bom, segundo o relatório da Fundação SOS Mata Atlântica. O ponto localizado no km 0, próximo ao olho d'água no Parque das Nascentes, recebeu a melhor avaliação entre todos os locais monitorados. Em Salesópolis, a Expedição Tietê 2025 realizou coletas em dois pontos: na nascente do rio e no km 20. As amostras, coletadas em 9 de junho, passaram por análises microbiológicas, parasitológicas e físico-químicas.

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Análises indicam ambiente preservado, mas com contaminantes

As análises físico-químicas indicaram características de um ambiente preservado. Segundo os pesquisadores, esses parâmetros indicam baixa presença de matéria orgânica e reduzida influência de fontes de poluição, como esgoto e atividades agrícolas. Apesar de apresentar os melhores indicadores ambientais de toda a bacia do Rio Tietê, a nascente já mostra sinais de interferência humana. Foram detectados cafeína e traços de cocaína abaixo do limite de quantificação. Segundo os pesquisadores, a presença dessas substâncias pode estar relacionada ao lançamento de esgoto e à circulação de visitantes na área.

Sabesp informa sobre saneamento em Salesópolis

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), com base de dados do ano de 2023, aponta que o índice de coleta de esgoto em Salesópolis é de 56% e que, do volume coletado, 99,37% recebe tratamento. Em relação à nascente do Rio Tietê, a Companhia esclarece que o Parque Nascentes do Tietê é uma área rural e isolada, onde não existem redes públicas de abastecimento de água e coleta de esgoto. A Sabesp destaca ainda que o município não possui atividade industrial significativa, não havendo registros relevantes de esgoto industrial atendido pela Companhia na cidade.

Agrotóxicos e microplásticos também na nascente

Também foram identificados dois tipos de agrotóxicos e partículas de microplásticos. Segundo o relatório, os resultados mostram que contaminantes já chegam a áreas consideradas preservadas. Outro ponto de atenção foi a presença de coliformes acima dos limites estabelecidos pela Resolução Conama 357/2005 em alguns pontos analisados. Embora Salesópolis tenha apresentado as melhores condições ambientais ao longo do Rio Tietê, os pesquisadores destacam que contaminantes e indicadores microbiológicos já foram detectados na região. Segundo eles, isso reforça a necessidade de monitoramento constante e de ações de preservação, mesmo nas áreas de nascente.

Prefeitura de Mogi das Cruzes se manifesta

Segundo a Prefeitura de Mogi das Cruzes, atualmente, os índices de coleta e tratamento de esgoto na cidade são de 85% e 63%, respectivamente. O esgoto encaminhado ao Rio Tietê equivale a 37%. A administração municipal informou ainda que esse estudo da SOS Mata Atlântica indica caminhos para a preservação dos recursos hídricos. De acordo com a prefeitura, o Semae realiza um monitoramento da qualidade do rio e está em fase final de atualização do Plano Municipal de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário (PMAE). O objetivo do estudo é universalizar as metas de saneamento, conforme a legislação federal. A autarquia também é parceira de uma instituição de ensino da cidade no projeto de pesquisa em políticas públicas sobre a qualidade da água do Rio Tietê. Após a conclusão do estudo, a meta é definir as estratégias de uso do solo das margens e formular políticas públicas de proteção, conservação e recuperação de áreas de várzea do Rio.