A Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou nesta terça-feira a escalada de ataques israelenses na Faixa de Gaza, onde pelo menos 12 pessoas foram mortas em bombardeios. A violência coincide com um surto de catapora que já afeta mais de 9,3 mil pessoas, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), agravando a já crítica crise humanitária no enclave.
Ataques e vítimas civis
Os ataques mais recentes atingiram o bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, onde famílias carregavam os corpos das vítimas durante um funeral. Imagens divulgadas pela agência AFP mostram palestinos enlutados em meio aos escombros. A ONU registrou 57 palestinos mortos somente em julho, com um aumento significativo da intensidade dos bombardeios nas últimas semanas.
"A cada dia, mais civis pagam o preço de uma violência que parece não ter fim", afirmou o porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), em coletiva de imprensa. A organização pede o cessar-fogo imediato e o respeito ao direito internacional humanitário.
Surto de catapora em acampamentos superlotados
Paralelamente, o Unicef contabiliza mais de 9,3 mil casos de catapora em acampamentos para deslocados internos, que abrigam centenas de milhares de pessoas em condições precárias. A superlotação e a falta de saneamento básico dificultam o controle da doença, que se espalha rapidamente entre crianças e adultos.
"A catapora é altamente contagiosa e, sem acesso a cuidados médicos adequados, pode se tornar fatal, especialmente para crianças desnutridas", alertou a representante do Unicef nos Territórios Palestinianos. A agência já distribuiu kits de higiene e medicamentos, mas os estoques estão se esgotando.
Crise humanitária se aprofunda
A combinação de violência armada e surto de doenças infecciosas cria um cenário devastador. Hospitais em Gaza operam com capacidade máxima e enfrentam escassez de combustível, medicamentos e equipamentos. A ONU estima que 1,9 milhão de pessoas — mais de 80% da população — necessitam de assistência humanitária urgente.
"A situação é insustentável. O bloqueio israelense, os bombardeios e agora a catapora estão empurrando Gaza para um abismo", declarou o diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Mediterrâneo Oriental. A OMS enviou equipes de emergência, mas o acesso humanitário continua severamente restrito.
O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nos próximos dias para discutir a escalada, mas resoluções anteriores foram vetadas por membros permanentes. Enquanto isso, a população civil segue sitiada, sem perspectivas de alívio imediato.



