Ramiro Valdés, comandante da Revolução Cubana e ex-vice-presidente de Cuba, morreu aos 94 anos, informou neste domingo (21) o presidente Miguel Díaz-Canel. Em uma publicação na rede social X, Díaz-Canel disse que a morte de Valdés "dói profundamente, como a de um pai". "Até a vitória, sempre, comandante!", acrescentou o presidente cubano, sem informar a causa da morte.
Trajetória revolucionária
Nascido em 28 de abril de 1932, Valdés tinha apenas 21 anos quando lutou ao lado de Fidel Castro no ataque ao quartel de Moncada, que deu início à revolta de 1953 contra o governo de Fulgencio Batista. Exilado com Castro no México, ele foi um dos 82 homens que navegaram no iate Granma até Cuba em 1956 para reiniciar a insurreição — e um dos apenas 12 sobreviventes. Entre os sobreviventes estavam Castro, que morreu em 2016, seu irmão mais novo e futuro presidente Raúl Castro, e Ernesto "Che" Guevara, o revolucionário argentino morto na Bolívia em 1967.
Valdés juntou-se aos irmãos Castro nas montanhas da Sierra Maestra, no leste de Cuba, atuando como vice-comandante de Guevara. Ele lutou ao lado de Guevara na decisiva Batalha de Santa Clara nos dias finais antes de Batista fugir do país em 1º de janeiro de 1959. Depois, passou a chefiar a agência de segurança criada após a chegada de Fidel Castro ao poder.
Cargos no governo e legado
Figura importante do governo por décadas, Valdés recebeu os títulos honorários de "Herói da República" e "Comandante da Revolução" e fez parte do poderoso Bureau Político do Partido Comunista de Cuba até 2019. Entre os cargos que ocupou estão ministro do Interior, vice-ministro da Defesa, ministro da Informação e Comunicações e vice-presidente. Mesmo quando Raúl Castro tentou supervisionar a transição de poder para líderes mais jovens, transferindo a presidência para Díaz-Canel em 2018, Valdés permaneceu em cargos-chave, mais recentemente como vice-primeiro-ministro, com foco na crise energética da ilha.
Valdés compartilhava parte do carisma de Castro e Guevara e, como eles, usava uniforme verde-oliva nos corredores do poder. Até o fim, manteve o cavanhaque no estilo Leon Trótski que usava desde o início da revolução. Entusiasta do condicionamento físico, manteve uma rotina de exercícios até os 80 anos.
Atuação na crise energética
Ainda ativamente envolvido nos detalhes das frequentes faltas de eletricidade no país, ele aparecia regularmente em uniforme militar ao lado de Díaz-Canel, incentivando os cubanos a apagarem as luzes, reduzirem o consumo e manterem o fervor "revolucionário". Valdés permaneceu sempre leal à revolução, a seus líderes e ao sistema de partido único, inclusive durante os períodos mais difíceis do país.
“Não podemos esquecer que chegamos até aqui graças à unidade do povo e à confiança na revolução”, disse Valdés na celebração do 61º aniversário do ataque ao Moncada em 2014. “Devemos preservar essa unidade acima de tudo, porque sabemos que essa luta ainda não terminou.”



