A quarta edição do Agroenergia, evento promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com apoio da Embrapa Agroenergia, reuniu lideranças do setor para discutir o avanço dos combustíveis sustentáveis, como o SAF (Sustainable Aviation Fuel) e o biobunker, e reforçar o potencial do Brasil para liderar a produção de energia renovável destinada à aviação e ao transporte marítimo.
Agro brasileiro como protagonista
O evento destacou que o agronegócio brasileiro está no centro da transição energética global, com capacidade de fornecer matérias-primas e tecnologias para a produção de biocombustíveis avançados. O SAF, produzido a partir de biomassas como cana-de-açúcar e óleos vegetais, e o biobunker, alternativa renovável para o transporte marítimo, foram os principais temas debatidos.
Potencial do Brasil
Segundo a CNA, o Brasil possui vantagens competitivas significativas, como vasta disponibilidade de terras agricultáveis, clima favorável e experiência consolidada em biocombustíveis, especialmente o etanol. O país já é referência em energia renovável e pode ampliar sua participação no mercado global de combustíveis sustentáveis, estimado em bilhões de dólares.
“O agro brasileiro tem um papel fundamental na descarbonização dos setores de aviação e marítimo, que são de difícil eletrificação. Estamos prontos para liderar essa nova fronteira energética”, afirmou o presidente da CNA, João Martins, durante o evento.
Desafios e oportunidades
Apesar do potencial, o desenvolvimento do SAF e do biobunker no Brasil enfrenta desafios como a necessidade de investimentos em infraestrutura, logística e políticas públicas de incentivo. O Agroenergia serviu como plataforma para discussão de parcerias público-privadas e mecanismos de financiamento para acelerar a produção e a adoção desses combustíveis.
Especialistas presentes destacaram que o Brasil pode se tornar um hub global de energia limpa, aproveitando sua matriz energética já renovável e a capacidade de produção agrícola. A Embrapa Agroenergia apresentou pesquisas que apontam para a viabilidade técnica e econômica da produção em larga escala.
Impacto econômico e ambiental
A transição para combustíveis sustentáveis na aviação e no transporte marítimo pode gerar novos mercados para o agronegócio, aumentar a renda no campo e contribuir para as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Estima-se que o mercado global de SAF possa movimentar US$ 15 bilhões até 2030, e o Brasil tem condições de capturar uma parcela significativa desse valor.
O evento reforçou a importância da integração entre setores produtivo, científico e governamental para consolidar a liderança brasileira na transição energética.



