A reta é o caminho mais curto entre dois pontos, ensina a geometria plana. Mas pressa é tudo o que não importa quando se aprecia uma grande obra de arquitetura. Antoni Gaudí, Oscar Niemeyer, Frank Gehry. Mestres, visionários, marcaram curvas para a eternidade no conceito de belo. Quando o papa Leão XIV abençoar a torre central da Sagrada Família neste 10 de junho, centenário de morte do arquiteto catalão, imagens do mundo todo devem focar na cruz duplamente torcida no topo da igreja mais alta do mundo.
Tridimensional, tem quatro braços como as que coroam outras obras-primas de Gaudí na cidade espanhola, entre elas, a Casa Batlló e o Park Güell. Como o gênio catalão deixou anotado o desejo de que a cruz da Torre de Jesus brilhasse de dia e se iluminasse à noite, ela foi revestida com cerâmica branca esmaltada. Sua instalação, em 20 de fevereiro de 2026, elevou a construção ao total de 172,5 m; saiba como é a visita à Sagrada Família.
Em cerâmica esmaltada, a cruz tridimensional, no topo da mais alta igreja do mundo. A Fachada da Natividade e a cripta foram consideradas Patrimônio da Humanidade em 2005, ano também da declaração da Unesco à Casa Batlló, à Casa Vicens e à cripta na Colônia Güell. Entre os sete projetos de Gaudí na lista da organização estão ainda Park Güell, Casa Milà e Palácio Güell, os primeiros reconhecidos, em 1984.
O legado de Antoni Gaudí i Cornet
O legado de Antoni Gaudí i Cornet continua fascinando os 15 milhões de viajantes que Barcelona recebe por ano – globalmente a cidade está entre as que mais sofrem com o turismo de massa. Muitos deles, desde 2012, fazem uma imersão nas criações do arquiteto, com 4D e realidade aumentada, na G Experiència.
No entanto, nada como caminhar pela cidade da Catalunha e ver ao vivo as obras-primas do modernismo catalão em tijolos e mosaicos. Muitas casas fazem parte desse roteiro. A Vicens, erguida entre 1883 e 1885 no bairro de Gràcia, foi a primeira grande residência que Gaudí criou. A Figueras, ou Torre Bellesguard, ele projetou sobre as ruínas de um castelo medieval do século 15, aos pés da Serra de Collserola. Nenhum bairro, porém, concentra tantas construções famosas do arquiteto quanto o quadriculado Eixample.
1. Sagrada Família, a obra-prima de Gaudí
Sem dúvida alguma, é a obra máxima de Gaudí, à qual ele dedicou os 43 anos finais de sua vida. O arquiteto Francisco de Paula del Villar começou o projeto em 1882. Um ano depois, o ícone do modernismo catalão assumiu a construção, onde seguiu rompendo com os padrões vigentes no fim do século 18. Das fachadas às colunas, o templo conta a história de Jesus Cristo em detalhes arquitetônicos. Dentro, raios de sol dão vida a uma floresta de pedra num espetáculo diferente a cada momento do dia.
2. Mosaico e bioarquitetura no Park Güell
Aqui se vê o suprassumo do trencadís, como os catalães chamam a técnica de Gaudí para revestir perfeitamente as construções com pedacinhos de cerâmica. Entre as mais fotografadas está a salamandra da escadaria da entrada do atrativo. Como o colorido dos mosaicos tem forte apelo turístico, outros detalhes do parque podem passar despercebidos para muita gente. A praça com os bancos de mosaico, de onde se vê Barcelona, tem o centro de terra. Ali a água da chuva escorria pelas colunas, com filtros, para abastecer as casas do projeto, originalmente planejado para ser um condomínio para a alta burguesia. É bioarquitetura pura.
3. Na Casa Batlló, lição de formas e luz
Tudo na Batlló é bonito e interessante. O brilho e as cores da fachada de vidro e cerâmica são os que chamam mais atenção de quem passa, porém os ambientes internos mostram como o gênio pensava funcionalidade e dominava iluminação. Destaque para os vitrais e para o pátio revestido num vibrante azul, que muda de tons ao longo dos andares. Conceitos como sustentabilidade nem eram imaginados, mas Gaudí usava a física a favor da eficiência. Além da fachada, no Passeig de Gràcia, a residência do industrial Josep Batlló tem um telhado que simula as costas de um dragão.
4. Palau Güell: da fachada escura às cores no terraço
A primeira vista não dá pistas do colorido de suas chaminés. O palácio encomendado pelo seu maior mecenas tem fachada escura com portões de ferro forjado, outro dos talentos de Gaudí. O luxuoso interior do prédio inclui uma cúpula que lembra um céu estrelado. As chaminés cobertas por mosaicos estão no terraço. Não só a localização é muito conveniente para quem passeia pela cidade – fica nas Ramblas, avenida mais turística de Barcelona –, como é gratuito.
5. Os guerreiros de pedra da Casa Milà
As chaminés e torres de ventilação do edifício são a principal parte da visita, com aparência de guerreiros de pedra entre curvas. A fachada confirma o apelido de La Pedrera (pedreira, em catalão). Erguido entre 1906 e 1912, o edifício foi o último trabalho residencial antes de se dedicar integralmente à Sagrada Família.



