O uso de aplicativos de namoro, que já alcançou cerca de 95,6 milhões de adultos nos Estados Unidos, pode estar afetando negativamente a saúde mental dos usuários. De acordo com terapeutas, a busca por validação e a exposição constante à rejeição geram fadiga emocional e podem agravar quadros de depressão e ansiedade.
Paul Hokemeyer, terapeuta conjugal e familiar licenciado em Telluride, Colorado, relata que seus pacientes frequentemente se sentem exaustos com os aplicativos. “Consome muita energia, muito tempo e muitas emoções. E há um enorme potencial de rejeição”, afirma. Ele compara o uso dos apps a um vício, no qual o usuário busca a descarga de dopamina ao receber uma resposta positiva, mas acaba se sentindo vazio.
Racine Henry, terapeuta familiar e matrimonial que atende virtualmente em Nova York, Nova Jersey e Carolina do Norte, destaca que os aplicativos podem fazer as pessoas se sentirem pouco atraentes ou indignas, especialmente quando envolvem deslizar o dedo para expressar atração. “Aplicativos como esse podem realmente fazer as pessoas se sentirem feias e indesejadas”, diz Henry, que recomenda que a autoestima esteja em níveis saudáveis antes de usar essas plataformas.
Em 2022, 3 em cada 10 adultos nos EUA afirmaram ter usado um site ou aplicativo de namoro, segundo o Pew Research Center. O Tinder é o mais popular entre jovens de 18 a 49 anos, enquanto o Match lidera entre os maiores de 50 anos, de acordo com a empresa de pesquisa SSRS.
Especialistas alertam que a objetificação e a rolagem constante por perfis podem levar a uma sensação de transação, em vez de conexão genuína. “Isso não melhora o bem-estar, como estar presente na vida real e conectar-se com seres humanos de verdade”, conclui Hokemeyer.



