A Copa do Mundo de 2026 será realizada pela primeira vez em três países: Estados Unidos, Canadá e México. O evento, que começa nesta semana, promete movimentar milhões de torcedores ao redor do mundo. No Brasil, a expectativa já se reflete nos preparativos para assistir aos jogos, seja em casa com amigos e familiares ou até mesmo em viagens internacionais para acompanhar as partidas de perto.
No entanto, enquanto os humanos entram no clima da competição, cães e gatos podem enfrentar desafios importantes para o seu bem-estar. O aumento do barulho, a movimentação intensa dentro de casa, a oferta de alimentos inadequados e até mudanças na rotina são fatores que exigem atenção dos tutores.
Barulho e excesso de estímulos podem causar estresse
Fogos de artifício, gritos, buzinas, vuvuzelas e televisores em alto volume fazem parte da atmosfera dos grandes campeonatos, mas podem ser extremamente desconfortáveis para os animais.
"Os pets têm uma audição muito mais sensível que a dos humanos, por isso sons intensos e inesperados podem gerar grande desconforto e até quadros de estresse. Para minimizar esses impactos, a recomendação é preparar previamente um ambiente seguro e tranquilo, com acesso a itens familiares, como cama, brinquedos, água e alimentação", explica Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company.
A sensibilidade auditiva dos animais também é destacada por Mariana Silva, médica-veterinária e consultora técnica da Boehringer Ingelheim. "A audição dos cães e gatos é muito mais sensível que a humana, o que faz com que os sons considerados toleráveis para nós sejam extremamente desconfortáveis para eles. Para protegê-los, a recomendação é criar um ambiente seguro dentro da residência, como um cômodo tranquilo com portas e janelas fechadas. Nele, é importante disponibilizar objetos familiares, como caminha, brinquedos e até uma peça de roupa do tutor, além de utilizar um som de fundo, como uma música tranquila ou um canal de TV", orienta.
Segundo Cintia Ghorayeb, especialista do Veros Hospital Veterinário, os efeitos podem ir além do desconforto momentâneo. "Os pets possuem audição muito mais sensível do que a humana, o que faz com que sons altos e repentinos sejam percebidos com mais intensidade. Esses estímulos sonoros geram sofrimento emocional, pois eles associam sons altos e inesperados a perigo", afirma.
Os sinais mais comuns de medo e ansiedade incluem tremores, respiração ofegante, salivação excessiva, inquietação, vocalização intensa e tentativas de fuga. Em alguns casos, os animais podem apresentar perda de apetite, vômitos ou comportamentos agressivos.
"O estresse pode desencadear comportamentos agressivos, hipervigilância, perda de apetite, vômito e eliminação de fezes e urina. A saúde também pode ser impactada, com aumento da pressão arterial, taquicardia, crises respiratórias e episódios convulsivos, especialmente em animais idosos ou com doenças cardíacas e neurológicas", alerta Cintia.
Como criar um ambiente mais seguro durante os jogos
Entre as recomendações dos especialistas está a criação de um espaço protegido onde o animal possa se refugiar durante as partidas. Fechar portas, janelas e cortinas ajuda a reduzir tanto os ruídos quanto os flashes dos fogos. Música suave, televisão em volume moderado ou ruído branco também podem ajudar a mascarar os sons externos. Além disso, é importante respeitar o comportamento natural do animal. Oferecer tocas e locais menores e mais protegidos é essencial, e nunca se deve deixar o cão sozinho. "O responsável não deve tirar o animal do esconderijo, já que isso pode aumentar a sensação de insegurança", orienta Cintia Ghorayeb. Ela também recomenda manter por perto objetos familiares, como cobertores, brinquedos e caminhas, além de reforçar a segurança da casa para evitar fugas.
Gatos também sentem os impactos da torcida
Os felinos costumam ser ainda mais sensíveis às alterações no ambiente. Por isso, durante os dias de jogo, merecem atenção especial.
"Os gatos valorizam previsibilidade e segurança. Quando há muito barulho ou circulação de pessoas, é importante que eles tenham espaços seguros para se recolher e atividades que ajudem a reduzir o estresse", explica Jéssica Yoshida, médica-veterinária que atua junto à DREAMIES, marca de petiscos para gatos.
A especialista recomenda investir em enriquecimento ambiental, com camas, mantas, caixas, brinquedos interativos, arranhadores e esconderijos. Além disso, manter a rotina de alimentação e descanso, oferecer estímulos positivos e utilizar recursos como sons relaxantes e difusores específicos para felinos pode contribuir para um ambiente mais tranquilo.
Nem todo petisco entra em campo
Durante as partidas, é comum que os tutores recebam visitas e compartilhem alimentos e bebidas. No entanto, muitos itens presentes nas comemorações podem representar riscos para cães e gatos.
Entre os alimentos que devem ser evitados estão chocolates, bebidas alcoólicas, doces, alimentos gordurosos ou condimentados, além de ingredientes como alho, cebola e uvas. A recomendação é manter a alimentação habitual do animal e orientar convidados para que não ofereçam comida sem autorização. Caso o tutor queira incluir o pet na comemoração, os especialistas sugerem o uso de petiscos próprios para cães e gatos. Pequenos pedaços de carne ou frango cozidos e sem tempero, além de algumas frutas e legumes liberados, também podem ser opções adequadas. A própria DREAMIES sugere utilizar petiscos em brincadeiras e atividades interativas, transformando os dias de jogo em experiências positivas para os gatos.
Roupinhas da seleção exigem bom senso
Vestir os pets com as cores do Brasil é uma tradição que costuma ganhar força durante a Copa do Mundo. Ainda assim, os especialistas recomendam cautela.
"Itens que gerem aperto ou limitação de movimento do animal devem ser evitados. Pequenos acessórios também devem ser deixados de lado, visto que o pet pode acabar ingerindo a peça", alerta Mariana Silva, da Boehringer Ingelheim. O ideal é que qualquer roupa ou acessório seja confortável e não interfira na movimentação ou na respiração do animal.
Atenção ao risco de fugas
Momentos de pânico provocados por fogos ou comemorações podem levar cães e gatos a tentar escapar. "Em pânico, muitos animais tentam fugir e podem acabar se ferindo em portas, portões e janelas. Se escapam para a rua, há riscos de atropelamento e outros acidentes", destaca Cintia Ghorayeb. Por isso, antes do início dos jogos, vale conferir portões, telas, janelas e portas, além de garantir que o animal esteja identificado corretamente.
Vai viajar para a Copa com seu pet? Planejamento é indispensável
A expectativa de aumento do turismo durante a Copa de 2026 também deve impulsionar as viagens com animais de estimação. Segundo a PETFriendly Turismo, empresa especializada em planejamento e transporte de pets em viagens nacionais e internacionais, os tutores devem começar a organização com bastante antecedência.
"Viagens internacionais com animais de estimação exigem planejamento antecipado, principalmente em períodos de grande movimentação turística. Antes do embarque, é fundamental que os tutores verifiquem as exigências sanitárias de cada país, as regras das companhias aéreas e organizem toda a documentação necessária para garantir uma experiência mais segura, confortável e tranquila tanto para os passageiros quanto para os pets", afirma Juliana Stephani, CEO da PETFriendly Turismo.
Estados Unidos, Canadá e México possuem exigências específicas para entrada de cães e gatos, incluindo certificados sanitários, comprovantes de vacinação antirrábica e eventuais inspeções veterinárias no desembarque. Além disso, algumas companhias aéreas podem restringir o transporte de determinadas raças durante períodos de calor intenso no hemisfério norte, tornando o planejamento ainda mais importante.
O principal gol é preservar o bem-estar
Independentemente de o tutor acompanhar os jogos no sofá de casa ou embarcar para assistir às partidas no exterior, a recomendação dos especialistas é a mesma: manter a rotina do pet o mais próxima possível do habitual. Horários regulares de alimentação, água fresca sempre disponível, períodos adequados de descanso e ambientes seguros ajudam a reduzir o impacto das mudanças e garantem que cães e gatos atravessem a temporada de jogos com mais conforto e tranquilidade. Afinal, quando o assunto é bem-estar animal, a melhor vitória é garantir que a festa também seja segura para eles.



