O que começou com uma pequena barraquinha na Zona Sul de São Paulo hoje é um restaurante que une comida saudável, preço acessível e impacto social. No bairro do Campo Limpo, o mais populoso da capital paulista, a empreendedora Tia Nice e o filho Thiago Vinícius comandam o Organicamente Rango, que já recebeu chefs renomados e se tornou referência em gastronomia comunitária. A história do negócio é um exemplo de como a alimentação natural pode chegar a quem mais precisa, sem abrir mão do sabor e da identidade local.
Da cozinha de casa para o negócio próprio
A ideia nasceu dentro de casa. Thiago decidiu transformar os temperos naturais preparados pela mãe, conhecida como Tia Nice, em um empreendimento para democratizar o acesso a uma alimentação saudável. "Eu decidi democratizar o tempero da minha mãe, que era só meu, em casa. Agora, é de todo mundo no Campo Limpo, do Brasil e do mundo", afirma o empreendedor.
Tia Nice cresceu cercada pela culinária e desenvolveu uma cozinha baseada em ingredientes frescos e naturais. Ela evita temperos industrializados e utiliza ervas e legumes cultivados na própria horta. "Eu sempre quis cozinhar sem temperos artificiais", conta. Antes de empreender, ela trabalhou em restaurantes vegetarianos de bairros nobres de São Paulo e chegou a ter um bar de petiscos no litoral. Foi perto de casa, com o apoio do filho, que ela conseguiu transformar essa experiência em um negócio próprio.
Estrutura e números do Organicamente Rango
O restaurante começou pequeno, com apenas duas mesas. Hoje, acomoda até 50 pessoas e atende clientes no salão, no delivery e em encomendas para eventos. O investimento inicial foi de R$ 80 mil, e o negócio alcançou faturamento mensal de R$ 40 mil, com ticket médio de R$ 19,90. O cardápio vai de saladas a pratos fitness, mas a feijoada vegetariana é o carro-chefe, preparada com ingredientes orgânicos fornecidos por pequenos produtores da região. Aos sábados, o prato chega a vender cerca de 150 unidades.
Impacto social e desafios da periferia
Além da proposta gastronômica, o restaurante movimenta a economia local e busca quebrar estereótipos. Segundo Thiago, empreender na periferia ainda envolve desafios estruturais, como dificuldade de acesso a crédito e falta de infraestrutura básica. "A gente está o tempo todo desconstruindo a ideia de que a favela é um lugar de violência", diz.
O sucesso do negócio ultrapassou os limites do bairro e chamou a atenção de nomes conhecidos da gastronomia brasileira. Chefs como Rodrigo Oliveira, Bela Gil e Alex Atala já visitaram o restaurante para provar os pratos da casa.
Planos de expansão e contatos
Para o futuro, a dupla quer expandir o impacto do negócio dentro da comunidade. "Que a gente possa ser um vetor de inspiração para outras quebradas", afirma Thiago. O Organicamente Rango é um exemplo de como a comida saudável pode avançar nas periferias, mostrando que preço justo e qualidade andam juntos. O projeto também reforça a importância de apoiar pequenos produtores locais e de criar redes de economia solidária.
Para quem quiser conhecer o trabalho, o restaurante fica na Rua Batista Crespo, 105 – Vila Pirajussara, em São Paulo/SP, CEP 05777-001. O telefone é (11) 94885-6108 e o e-mail percursoproducoes@gmail.com. No Instagram, o perfil é @organicamenterango. A lista de contatos inclui ainda a Horta Cores e Sabores, na Rua Gastão Raul Forton de Bosquet, 401 – São Paulo/SP, CEP 05797-000, telefone (11) 98188-6448, mais uma iniciativa que conecta a produção de ingredientes frescos à mesa dos moradores da região.



