Uma das versões mais famosas da origem dos bistrôs é a de que eles nasceram quando mulheres francesas abriram a porta de suas casas para servir comidas como fonte de renda. Hoje em dia, o termo é sinônimo de sofisticação descontraída, com técnica, mas sem perder o aconchego. Isso tudo faz parte da bistronomia, a arte por trás da cultura de bistrô. Saída diretamente de Paris, conquista pessoas mundo afora, inclusive em São Paulo.
O que define um bistrô?
Segundo Benny Novak, do ICI Bistrô, "bistrô é um restaurante despretensioso, acolhedor, de comida caseira francesa e rápida". No ambiente, ele conta que, quase sempre, "há bancos inteiriços de couro vermelho ou marrom, com muita madeira, luminárias arredondadas, muitos espelhos e, nos escritos nas paredes, pratos que servimos, quem somos e para quem somos". Apesar dessa atmosfera casual, um cuidado que pode confundir é a toalha na mesa. "A grande maioria dos bistrôs clássicos forra a mesa com toalha, o que não faz dele um restaurante exclusivo e caro." Isso é o bistrô tradicional.
Le Freak: o bistrô moderno do Centro
No Le Freak, o Centro da cidade ganha um bistrô moderno, com tudo que se tem direito: toalha na mesa, muita madeira, poltronas de couro pretas e uma varanda típica das calçadas parisienses. As luminárias dão um toque contemporâneo. O nome revela a ambiguidade intencional de um espaço que se atreve a não ser uma coisa só. "No Le Freak, a gente quebra um pouco com a definição de bistrô clássico, com um olhar paulistano que carregamos", conta Franco Santin Frugiuele, sócio-fundador da casa. "Nós buscamos um contraponto do óbvio, em que partimos de uma origem francesa, com acolhimento, um lugar intimista, madeira, mas alguns signos tradicionais ganham um novo olhar."
A ambiguidade está também na comida, como preparos mais molhados e cortes comuns em churrascos americanos. Por lá, o clássico filé au poivre é um Denver cortado em tiras à la entrecôte. Para acompanhar, creme de espinafre e batatas fritas. O bikini pithivier (R$ 61) é servido na massa folhada com bastante jus. Outros pratos: moules & frites (R$ 68), denver steak au poivre (R$ 128) e linguado au beurre-blanc (R$ 120). Para adoçar, mousse de chocolate (R$ 36) e pera ao vinho com mascarpone (R$ 48). Onde: Av. São Luís, 282 - Centro Histórico de São Paulo.
Le Jazz: o meio-termo entre bistrô e brasserie
Já quem busca o meio-termo, um ambiente clássico parisiense embalado por muito jazz, apoio de prato de papel e belisquetes, o Le Jazz é o lugar. Sem toalha de mesa e com atmosfera mais descontraída, o Le Jazz traz os dois mundos à tona. "Em São Paulo, antigamente, tínhamos os bistrôs mais rebuscados, caros e o Le Jazz trouxe a informalidade já existente na França para cá", declara Gil Leite, sócio da casa. Na comida, tem steak tartare, cassoulet, filés, mas também lula à carbonara, croqueta de chorizo à espanhola e camembert empanado. O magret de canard (R$ 127) chega com molho cítrico de tangerina. O steak tartare clássico (R$ 64 meia, R$ 91 inteiro) divide a mesa com calamar à la carbonara (R$ 76). A tarte tartin (R$ 35) é feita em massa folhada com maçãs laminadas e sorvete. Onde: R. Dr. Melo Alves, 734 - Jardins e R. dos Pinheiros, 254 - Pinheiros.
ICI Bistrô: o clássico em Higienópolis
Poltronas vermelhas, muita madeira, toalha na mesa, guardanapo de pano. Desde a fachada, o ICI Bistrô bebe da fonte parisiense. "Em bistrôs, encontra-se muitos cozidos, como o blanquette de veau, steak frites sempre e steak tartare", revela Benny Novak. Na casa, coxinhas de rã (R$ 101) e escargot ao molho de manteiga de alho e salsa (R$ 83) abrem os trabalhos. Aposte também no bouef bourguignon com fettuccine (R$ 115) e no cassoulet com feijão branco e linguiça de porco (R$ 176). Para sobremesa, mousse de chocolate (R$ 44) e profiteroles (R$ 41). "As pessoas buscam acolhimento, comida caseira, farta, ambiente agradável. Procuram esse carinho, bistrô é confort food", conclui Benny. Onde: R. Mato Grosso, 396.



