Em menos de três anos, nenhum carro novo poderá ser vendido no Brasil sem frenagem autônoma de emergência (AEBS). Essa é a expectativa do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que incentiva o desenvolvimento de um sistema nacional. O Senai Pernambuco lidera o projeto, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e montadoras como Volkswagen e Stellantis. O sistema será desenvolvido no Senai Park, em Suape (PE), com investimento de R$ 44 milhões, conforme a Agência Brasil.
Como funciona o AEBS?
O sistema atua como um segundo par de olhos. Equipamentos instalados na frente do veículo monitoram o trânsito constantemente. Se houver detecção de risco e o motorista não reagir a tempo, o carro assume o controle e aciona os freios automaticamente para evitar ou reduzir o impacto do acidente.
Tecnologia embarcada
No projeto do Senai, a frenagem autônoma de emergência utilizará câmeras e radares, atuando entre 10 e 60 km/h, conforme determinação do Contran. O sistema detecta obstáculos e veículos a diferentes distâncias e pode ser aplicado ao assistente de permanência em faixa. Também serão usadas inteligência artificial e gêmeos digitais (digital twins), réplicas virtuais do veículo que permitem simular situações de risco e acelerar testes sem depender exclusivamente de protótipos físicos.
Oziel Alves, diretor de Inovação e Tecnologia do SENAI-PE, explica: “Na prática, os sistemas de frenagem automática combinam radar e câmera para tomar decisões mais seguras. O radar detecta objetos à frente e mede distância e velocidade, enquanto a câmera identifica o tipo de objeto, como carro ou pedestre. Com essas informações integradas, o sistema avalia o risco de colisão e aciona a frenagem automaticamente.”
A produção local pode reduzir a dependência de fornecedores internacionais e baratear a adoção da tecnologia, especialmente em carros de entrada, que também serão obrigados a contar com o sistema. Camila Barreto, diretora regional do SENAI-PE, destaca: “O SENAI vem construindo parcerias com o setor automotivo. Temos o SENAI Park para implantar projetos como a bateria de lítio e o Projeto ADAS, que será um sucesso.”
Cronograma do Contran
Desde 1º de janeiro deste ano, a frenagem autônoma de emergência é obrigatória para todos os novos projetos que tenham recebido código de marca/modelo/versão junto ao Contran. A partir de 1º de janeiro de 2029, a obrigatoriedade será ampliada para todo veículo produzido ou importado para o Brasil. Em 2031, os sistemas também deverão detectar e reagir a carros e objetos parados na pista.
Estão isentos da regra veículos militares, especiais, artesanais, fabricantes de pequena série, buggies, unidades para exportação e alguns tipos específicos de caminhões e ônibus.



