Executivo troca sabático por empresa no vermelho e vira CEO
Executivo troca sabático por empresa no vermelho

Quando planejava tirar um ano sabático após uma longa carreira corporativa, o executivo Carlos Mello, de 48 anos, recebeu uma proposta inesperada: assumir o comando de uma empresa de tecnologia que acumulava prejuízos há três anos consecutivos. Ele aceitou o desafio e, em 18 meses, conseguiu reverter o cenário, levando a companhia ao lucro pela primeira vez desde 2022.

De férias planejadas a CEO de emergência

Carlos Mello havia deixado o cargo de diretor de operações em uma multinacional do setor de logística em dezembro de 2025. Seu plano era passar um ano viajando com a família e estudando temas como inovação e sustentabilidade. No entanto, em janeiro de 2026, foi procurado por um headhunter para avaliar a situação da TechSolve, uma empresa de software com 200 funcionários e receita anual de R$ 50 milhões, mas que vinha perdendo dinheiro desde 2023.

“Eu estava pronto para desacelerar, mas o desafio me atraiu. A empresa tinha um produto sólido, mas problemas de gestão e custos. Vi potencial para aplicar tudo o que aprendi em reestruturações anteriores”, disse Mello ao Valor. Ele assumiu como CEO em fevereiro de 2026.

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Diagnóstico e primeiras medidas

Ao chegar, Mello identificou que a TechSolve gastava 40% da receita com estrutura administrativa e tinha uma equipe de vendas subdimensionada. Ele cortou 30% dos cargos gerenciais, reduziu despesas com fornecedores em 15% e redirecionou a estratégia comercial para focar em clientes de médio porte, que representavam 70% do faturamento potencial.

“Em três meses, reduzimos o burn rate de R$ 1,2 milhão para R$ 800 mil mensais. Foi doloroso, mas necessário para garantir a sobrevivência”, afirmou. A empresa também renegociou dívidas de R$ 5 milhões com bancos, alongando prazos e reduzindo juros.

Resultados em 18 meses

Em junho de 2026, a TechSolve registrou lucro líquido de R$ 300 mil, o primeiro resultado positivo em mais de três anos. A receita cresceu 12% no semestre, para R$ 28 milhões, impulsionada por novos contratos com empresas do setor de saúde e educação. Mello projeta fechar 2026 com faturamento de R$ 60 milhões e margem líquida de 5%.

“Muitos acham que turnaround é só cortar custos, mas é preciso também investir em vendas e inovação. Contratamos 10 vendedores e lançamos duas funcionalidades no produto principal”, explicou o CEO.

Impacto na carreira e lições

Mello admite que o sabático foi adiado, mas não descartado. “Aprendi que, às vezes, o melhor descanso é fazer algo que te motive. Não me arrependo. A empresa agora está saudável e posso pensar em tirar um mês de férias no fim do ano.”

O caso ilustra uma tendência de executivos experientes aceitarem desafios em empresas em crise, trocando a aposentadoria ou pausas por missões de reestruturação. Segundo levantamento da consultoria de recrutamento Michael Page, 15% dos CEOs contratados em 2025 no Brasil vieram de situações de semi-aposentadoria ou sabático.

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