A engenheira que viu antes o potencial da saúde mental nas empresas
Engenheira viu potencial da saúde mental nas empresas

Antes de a saúde mental se tornar pauta obrigatória nas organizações, a engenheira paulista Ana Beatriz Costa já identificava lacunas que comprometiam o bem-estar dos profissionais. Aos 34 anos, ela fundou a startup MenteSã, que há cinco anos desenvolve programas de acolhimento psicológico corporativo. Hoje, a empresa atende mais de 200 companhias, incluindo multinacionais de tecnologia e bancos.

O estalo que mudou a carreira

Formada em Engenharia de Produção pela USP, Ana Beatriz trabalhou por oito anos em uma consultoria de gestão. Foi lá que percebeu o alto índice de afastamentos por transtornos mentais entre colegas. "Eu via pessoas brilhantes pedindo demissão ou entrando em licença médica por ansiedade e depressão. Algo precisava ser feito", relembra. Em 2019, ela abandonou a carreira tradicional e lançou a MenteSã. Na época, a saúde mental ainda era tratada como tabu nas empresas.

Segundo dados do Fórum Econômico Mundial citados por ela, a depressão e a ansiedade custam à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. A startup de Ana Beatriz propõe uma abordagem preventiva: treinamentos para líderes, canais de escuta anônimos e acompanhamento psicológico contínuo. "Não adianta só oferecer terapia depois que o problema aparece. É preciso criar uma cultura que previna o adoecimento", afirma.

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Resultados mensuráveis

Um estudo interno da MenteSã com 50 empresas-clientes mostrou que, após seis meses de programa, houve redução de 30% nos pedidos de licença-saúde e aumento de 22% na satisfação dos funcionários. "O retorno sobre investimento é claro: cada real aplicado em saúde mental gera economia de R$ 4 em custos com absenteísmo e rotatividade", destaca a engenheira.

Em 2022, a startup recebeu aporte de R$ 15 milhões de um fundo de venture capital, o que permitiu expandir a equipe de psicólogos e desenvolver um aplicativo com inteligência artificial para triagem emocional. A ferramenta já foi baixada por mais de 30 mil usuários.

Reconhecimento e desafios

O trabalho de Ana Beatriz chamou atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS), que a convidou para integrar um grupo de especialistas em saúde mental no trabalho. "Ela é uma das vozes mais inovadoras no tema no Brasil", afirmou o representante da OMS no país, Dr. Carlos Ribeiro, em evento recente.

Mas a engenheira reconhece que ainda há resistência. "Muitos gestores ainda acham que saúde mental é frescura. Nosso trabalho é mostrar dados que comprovam o impacto positivo nos negócios", diz. Ela planeja agora expandir a atuação para pequenas e médias empresas, que têm menos recursos para programas internos.

O futuro do bem-estar corporativo

Para Ana Beatriz, a pandemia acelerou a discussão, mas o caminho é longo. "Empresas que não cuidarem da saúde mental dos colaboradores vão perder talentos. Isso não é mais um diferencial, é obrigação", conclui. A MenteSã projeta crescer 40% em 2025, com novas parcerias no exterior.

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