O fenômeno no ambiente corporativo
Um comportamento recorrente em muitas organizações é o de bajular os superiores enquanto se maltrata os subordinados. Embora possa parecer uma estratégia eficaz para ascensão rápida, estudos mostram que essa prática tem consequências negativas a longo prazo. De acordo com especialistas em comportamento organizacional, o chamado 'kissing up and kicking down' é frequentemente observado em ambientes hierárquicos rígidos.
Resultados de uma pesquisa recente
Uma pesquisa conduzida pela consultoria RH Plus, em 2023, revelou que 65% dos funcionários já presenciaram colegas agindo dessa forma. Desses, 40% afirmaram que tal comportamento resultou em promoções para os agressores, mas também gerou um clima de medo e desconfiança. 'A curto prazo, pode até funcionar, mas a longo prazo, esses profissionais são isolados e perdem credibilidade', afirma a psicóloga organizacional Ana Beatriz Costa, em entrevista à coluna.
Impactos na cultura organizacional
Empresas que toleram esse tipo de conduta tendem a ter maior rotatividade de funcionários e menor engajamento. Um levantamento interno de uma multinacional brasileira mostrou que departamentos onde o comportamento era mais frequente tiveram um aumento de 30% no absenteísmo. 'O dano à cultura é imenso', comenta o consultor empresarial Carlos Mendes. 'As pessoas deixam de confiar nos líderes e o trabalho em equipe é prejudicado.'
Motivações por trás da atitude
Especialistas apontam que a prática geralmente está ligada a insegurança e falta de habilidades de liderança. Indivíduos que se sentem ameaçados por subordinados competentes muitas vezes recorrem à intimidação para manter o status. Já a bajulação aos superiores é uma tentativa de garantir proteção e privilégios. 'É uma estratégia de sobrevivência em ambientes competitivos, mas raramente sustentável', explica Ana Beatriz.
Como as empresas podem combater
Para reduzir esse comportamento, as organizações devem promover uma cultura de feedback aberto e meritocracia real. Programas de desenvolvimento de liderança e canais de denúncia anônimos são ferramentas eficazes. 'Quando os funcionários percebem que o comportamento tóxico não é recompensado, ele tende a diminuir', conclui Carlos Mendes. A transparência nos processos de promoção também ajuda a desestimular a bajulação.
Consequências para o profissional
Embora alguns possam obter vantagens imediatas, a maioria dos profissionais que adotam essa postura acaba tendo sua carreira limitada. Colegas evitam colaborar, e a reputação fica manchada. 'Ninguém quer trabalhar com alguém que só sabe puxar o saco e pisar nos outros', ressalta Ana Beatriz. A longo prazo, a falta de apoio da equipe e a desconfiança da liderança podem levar ao estagnação ou até demissão.



