Quando Tomás Ballesté decidiu trocar a cidade por uma vila fantasma nos Pirineus catalães, muitos devem ter questionado a sanidade da escolha. Doze anos depois, o espanhol não tem dúvidas: foi a melhor decisão da vida. Ele é o único morador permanente de Solanell, um pequeno povoado que o tempo parecia ter apagado dos mapas, e garante que a solidão que experimenta ali não tem nada de negativa. Pelo contrário: foi justamente nesse isolamento que ele encontrou a felicidade.
O caminho até Solanell
Antes de se fixar de vez na montanha, Tomás conta que buscava uma existência mais simples, longe do barulho e das pressões cotidianas. A vila de Solanell, situada em uma área remota da Catalunha, ofereceu exatamente isso: ruínas de pedra, silêncio absoluto e uma paisagem de montanhas que se transforma a cada estação. A região, como muitas áreas rurais da Espanha, sofreu décadas de êxodo populacional, e o povoado acabou ficando sem habitantes.
Em meio às construções em ruínas, Tomás enxergou potencial. Passou a restaurar uma antiga casa de pedra, com as próprias mãos e com a ajuda de materiais locais, transformando aquilo que era apenas um esqueleto de paredes em um lar acolhedor. O trabalho de restauração se tornou, ele próprio, uma espécie de terapia — e uma maneira de criar raízes em um lugar que já não as tinha.
A transformação da casa de pedra
A antiga moradia, que por anos esteve exposta ao abandono, ganhou telhado novo, janelas, sistemas de água e aquecimento. O interior, hoje, mistura o rústico das paredes originais com o conforto de uma casa pensada para o isolamento. Em vídeo publicado pelo canal Monxileros no YouTube, Tomás abre as portas do imóvel e mostra cada cômodo, revelando como o projeto se tornou a "casa com que sempre sonhou", nas palavras dele.
Mais do que uma reforma arquitetônica, a casa representa um recomeço. "É uma solidão querida", afirma Tomás, ao explicar por que a tranquilidade do vilarejo transformou sua visão sobre a vida. Para ele, a ausência de vizinhos não é um vazio, e sim uma oportunidade de autoconhecimento e paz.
Os desafios da vida isolada
Viver sozinho em um povoado abandonado não é apenas contemplação. Exige disciplina, planejamento e uma boa dose de autonomia. Tomás precisa administrar recursos, manter a casa em condições seguras e conviver com a imprevisibilidade do clima de montanha. No inverno, a neve pode isolar ainda mais a região, e qualquer tarefa simples exige mais esforço do que em uma cidade convencional.
Ainda assim, ele avalia que o equilíbrio é amplamente positivo. O espanhol diz que a experiência o ensinou a valorizar o essencial e a encontrar contentamento em coisas que antes passavam despercebidas, como o nascer do sol sobre os picos ou o som do vento entre as pedras.
Solidão escolhida
O caso de Tomás chama atenção justamente por inverter a narrativa comum sobre o abandono rural. Enquanto muitos veem vilarejos fantasma como símbolo de perda, ele encontrou ali um propósito. A vila de Solanell, que um dia pode ter tido dezenas de famílias, hoje tem um único habitante permanente — e, pelo visto, um habitante feliz.
Tomás não esconde que já foi abordado por curiosos e pela imprensa, e o vídeo recente ajudou a espalhar sua história. Em suas declarações, repete a ideia de que a solidão, quando bem compreendida, se transforma em companheira. "É uma solidão querida", resume, como quem encontrou a resposta para a pergunta que muitos fazem: não se sente sozinho? A resposta, para ele, é um sonoro não.
Doze anos depois de sua chegada, Tomás Ballesté segue morando em Solanell, numa casa de pedra restaurada e cercada por montanhas. Sua história mostra que, às vezes, a felicidade está exatamente onde ninguém mais quis ficar.



